10 de julho de 2026

De olho na eleição, Câmara de Patrocínio ignora prisão de Zum


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Zum é preso em Patrocínio na última sexta-feira: vereador, não enfrenta qualquer processo na Câmara

A Câmara de Patrocínio Paulista realiza sessão hoje à tarde. O vereador Cláudio Donizeti Crispolino (PTB), o Zum, não poderá participar. Ele está trancado em uma cela da cadeia do Jardim Guanabara, em Franca. Condenado pela Justiça a 12 anos de prisão em regime fechado por estupro e exploração de menores, o político aguarda transferência para uma penitenciária no interior do Estado.

Se estivesse fora das grades, Zum, como é conhecido, poderia sentar-se normalmente em sua cadeira no plenário. Apesar da gravidade das acusações que pesam contra ele, não há medida interna no Poder Legislativo para afastá-lo do cargo.

Os problemas do vereador com a Justiça se arrastam há dois anos. Em março de 2010, Zum foi preso junto com outras seis pessoas acusado de envolvimento com o tráfico de drogas. No mês seguinte, investigações deram origem a uma segunda denúncia por favorecimento à prostituição de duas adolescentes na cidade, crime que resultou na condenação que o acaba de levar à prisão novamente um ano depois.

Mesmo com as denúncias públicas, a Mesa Diretora da Câmara arquivou, no ano passado, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que havia sido aberta para investigar o vereador. Zum é integrante do bloco governista, que tem maioria no plenário.

A duas semanas das eleições, tudo o que os vereadores de Patrocínio não querem é se envolver em polêmicas. O assunto Zum incomoda. Há uma aparente falta de interesse em falar sobre o caso. O presidente da Câmara, Ricardo Rocha (PPS), foi procurado ao longo de todo o dia de ontem, mas deixou o celular desligado. Ele também não retornou aos recados deixados com sua assessoria.

O vereador José Cláudio de Figueiredo, líder da bancada do PT, admite que o período eleitoral atrapalha. “É um tema melindroso que veio à tona num momento difícil. Vou conversar com os companheiros. O mais lógico é que a gente entre com um pedido de cassação.”

Na Câmara de Patrocínio, tramita um projeto de lei para proibir que pessoas com a ficha suja ocupem cargos em comissão no município. A proposta foi apresentada por Geovanni Silva (PV). Questionado se pretendia dar o exemplo agora e propor alguma medida contra o vereador para garantir a moralidade na própria casa, ele se esquivou. “Ainda não fomos comunicados oficialmente.” Ele disse ainda que Zum não cometeu “crime eleitoral”.