As duas cruzes mais conhecidas das margens das estradas que cortam Franca estão fincadas no acostamento do quilômetro 16 mais 500 metros da rodovia João Traficante. Nas marcas de mais de dois metros de altura, não há nomes ou datas, mas todos sabem que ali morreu o então prefeito de Restinga, Clarindo Ferracioli, o Belão, e o funcionário da Prefeitura de Restinga Celso Cordeiro.
O acidente aconteceu na noite do dia 11 de outubro de 2010. As vítimas voltavam de um rancho na região de Ibiraci (MG). Eles estavam no veículo oficial, um Fiat Linea 2009, de cor preta. Em uma curva acentuada, o condutor do carro (não foi identificado) perdeu o controle, avançou além do acostamento e capotou várias vezes. Belão e o funcionário foram jogados para fora do veículo, que só parou depois de bater em um barranco.
Uma semana depois da tragédia, Claudinei Magrão, 46, funcionário público em Restinga há 25 anos, tomou a iniciativa, com o aval da família, de construir as cruzes e colocá-las onde o acidente aconteceu. Segundo o autor, elas são grandes porque foram cravadas em uma depressão. Além dos crucifixos, foram plantados dois ipês amarelos e colocados dois banners com a foto dos falecidos. “Minha intenção era homenagear e fazer que todos lembrassem do Belão e do grande prefeito que ele foi.”
Por coincidência, um motociclista morreu aos pés das cruzes em fevereiro deste ano. O eletricista Jean de Souza, 30, pilotava uma Honda Biz e perdeu o controle na curva, passou direto e caiu além do acostamento. A moto explodiu e o fogo atingiu o mato, queimando o corpo de Jean.