A repercussão gerada pela matéria publicada no Comércio no último domingo, sobre a prestação de contas da atual gestão da AEC Castelinho, levou o ex-presidente do clube, Wilson Pedro de Souza, a resolver falar sobre o caso. Souza, que na época em que presidia o clube trabalhava no setor calçadista, gerencia atualmente um buffet para festas e eventos. E foi justamente pensando em seus atuais clientes, que ele mesmo classifica como seu patrimônio, que o ex-presidente decidiu se manifestar.
Souza afirma que a dívida herdada pela atual diretoria do clube não veio somente de sua gestão. Ele diz que, ao assumir o clube, se deparou com dívidas. “Em 1º de julho de 2004, data em que tomamos posse, foi feita uma auditoria e foi constatado que o clube não tinha um centavo em caixa. A CPFL estava lá para desligar a energia.” Segundo Souza, o clube também tinha várias notificações da Vigilância Sanitária. “Nem por isso alegamos que o senhor José Finardi Garcia [seu antecessor] lesou alguma coisa no clube. Não é do nosso feitio.”
De acordo com Souza, em 2004 a dívida do clube era de cerca de R$ 850 mil, calculados por auditoria. “No decorrer de alguns meses, percebemos que a dívida ultrapassava R$ 1 milhão. A rolagem dessa dívida aumenta ano a ano. Não criamos a dívida, ela veio correndo. Existem atas do próprio conselho deliberativo que retratam as dívidas e a situação do clube no período em que assumi. Acredito que a atual administração está fazendo um trabalho brilhante para poder administrar isso, porque o clube merece”, diz.
Quando perguntado sobre o valor total das dívidas (R$ 3 milhões) após deixar a presidência do clube, Souza diz desconhecer o montante. “Quando saí do clube, o que era discutido em assembleias eram valores de R$ 1,8 milhão, que é contundente, se comparado ao que pegamos quando entramos no clube. Não sei se pode ter havido uma superinflação dessa dívida”, afirma.
No entanto, o ex-presidente afirma que grande parte das dívidas trabalhistas citadas no demonstrativo de prestação de contas vêm das demissões de funcionários feitas pela atual diretoria do clube. “Quando fui afastado, a nova diretoria demitiu mais de 70% dos funcionários do clube. Isso gera problemas trabalhistas, porque o clube não tinha dinheiro. Essa divida foi gerada após as demissões. Não foi na minha gestão”, justifica. “Tudo era documentado e registrado. Nada foi pago sem recibos.”
E o que aconteceu de errado na gestão de Wilson Pedro? A diretoria, segundo o ex-presidente, era muito heterogênea e pensava de forma diferente.
“A diretoria administrativa e o conselho deliberativo da minha gestão se dividiram por conflitos de ideias. Então, a diretoria acabou se dissolvendo. Foram seis meses de boa administração e dois anos de muita briga.”
saudade
Após o afastamento do cargo, sua família deixou de freqüentar o clube. “Mas eu torço muito pelo Castelinho, porque tenho muita saudade dali. Isso tudo acabou. Sofri muito com isso [afastamento], fui muito criticado, minha imagem foi denegrida. Mas tenho a cabeça erguida. Foi feita uma auditoria judicial que comprova que não tirei um centavo do clube. Nada foi feito indevidamente, para prejudicar a associação”, afirma.
Perguntado se gostaria de voltar a gerir o Castelinho, Souza disse: “Estão chegando as eleições do clube. Não sou candidato e não tenho intenção alguma de me candidatar a cargo nenhum.”
Em relação a sua imagem após a “queda” no clube, Souza afirma que dói ser julgado. “Existem pessoas maldosas que passam, apontam o dedo para nós. Isso é o que mais dói na gente. Luto muito. Minha riqueza é minha família, meus filhos. Meu maior patrimônio são meus clientes.”