Reportagem de Felipe Cavalieri e Samuel Santos
Os ventos de 84 km/h que atingiram Franca na tarde de ontem provocaram estragos em todas as regiões da cidade. A tempestade, que durou pouco mais de meia hora, deixou a população no escuro. O sistema de distribuição de água da Sabesp também foi atingido e a direção da Companhia informou que faltará água neste sábado.
A tempestade, que começou por volta das 16 horas, derrubou dezenas de árvores e trouxe prejuízo a moradores e comerciantes. No City Petrópolis, três carros foram destruídos em um estacionamento na avenida São Pedro. Eucaliptos plantados no canteiro central tombaram sobre os veículos. O frentista Fernando Aurélio Rosa, 40, que parou para fazer compras em um supermercado próximo, disse que a chuva começou de repente. “Eu entrei rapidinho para comprar pão. Quando olhei para trás, vi aquela nuvem escura de terra e as árvores caindo. Ainda bem que eu não estava dentro do carro.”
No Jardim Pinheiros II, duas árvores de grande porte atingiram um Tempra cinza que estava estacionado na avenida Pedro Calândria Fernandes. Segundo o comerciante Wesley Campos, 27, morador no Leporace e dono do carro, um amigo estava com seu Tempra e o deixou estacionado na via. O veículo ficou destruído. No Jardim Cambuí, uma casa foi totalmente destelhada. Em diversos bairros de todas as regiões da cidade, havia residências com os telhados destruídos pelo temporal.
A Festa de San Gennaro, organizada pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca, teve sua estrutura varrida pelos fortes ventos. Todas as barracas foram danificadas. Duas voluntárias que trabalhavam nos preparativos da festa se feriram levemente ao tentar fugir e foram socorridas por ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e ProntoMed. “É difícil de descrever. Foi um vendaval aterrorizante. Foi coisa muito rápida e causou esse transtorno. As ferragens retorceram”, disse Niura Agostini, 60, diretora administrativa da Apae.
A chuva também castigou o novo pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”. Pacientes e acompanhantes denunciaram que o teto do corredor principal do prédio foi tomado por infiltrações. A reportagem esteve no local, durante a noite, e encontrou vários baldes no chão e funcionários tentando controlar a enxurrada. “Chovia aqui fora e lá dentro (do PS) o dobro. A água empoçou na laje e continua pingando lá dentro”, disse a publicitária, CA, 47.
Funcionários de uma fábrica e de uma plantação de verduras, na avenida Carlos Neto, passaram minutos de pura tensão. O agricultor Luiz Adevair, 56, perdeu 70% das estufas que possuía. “Minha família vive do cultivo dessas verduras. Perdi mais de R$ 5 mil. Há 10 anos que trabalho aqui e nunca vi nada desse tipo.” Na fábrica, que teve as telhas arrancadas, uma encomenda de 30 solas de sapato foi perdida. “Nós saímos correndo para rua. Está tudo debaixo das telhas ou destruído pela água. Quando acabar essa chuva é que vou ver certinho o que sobrou”, disse o empresário Alexander Braz de Macedo, 38.
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