Em nove meses, mais de quinhentos caloteiros foram presos por não pagarem pensão aos filhos
O dinamismo é uma característica do mundo atual. As coisas acontecem mais rapidamente e, de certa forma, tornam-se um pouco mais superficiais. Começam, se desenvolvem e terminam sem grandes traumas, sem preocupações ou consequências, o que em si mesmo não é nem bom nem ruim, mas apenas diferente do que acontecia antigamente.
E isso se passa em todos os setores da vida social, no mundo do trabalho e nas relações pessoais. Mudamos de emprego a todo o momento, quase no mesmo ritmo em que trocamos de camisa. Renovamos também mais regularmente nossas amizades, a despeito de nem sempre abandonarmos as antigas.
Mas, nas relações pessoais mais íntimas as coisas parecem estar um pouco exageradas. As pessoas se conhecem, se apaixonam, se casam e depois rapidamente esquecem tudo isso e se separam. Até aí nada de mais. Em um mundo de tantas tentações e oportunidades é natural que as pessoas não se apeguem muito ao presente.
O problema, porém, é que essas relações pessoais mais íntimas, diferentemente do que ocorre no mundo do trabalho ou em outros espaços de convivência social, geralmente geram filhos, o que se concretiza como algo que não pode ser encarado como passageiro, na linha do dinamismo, da fluidez ou do desapego que perpassam as coisas atualmente.
Se casar, juntar ou se separar é sempre uma decisão de foro íntimo, a paternidade seguramente transpõe essa esfera da intimidade e coloca-se definitivamente no âmbito da lei. A responsabilidade dos pais, nesse sentido, é inquestionável e deve ser observada pelos órgãos fiscalizadores e responsáveis por essa questão, já que esse abandono, muitas vezes, acaba acarretando graves problemas sociais.
A falta de apoio financeiro, ou mesmo a ausência de uma base ética e moral mais sólida no seio da família, pode facilmente contribuir para a formação de uma criança e de um adolescente com sérias complicações emocionais, algo que com certeza trará muitos transtornos para a sociedade, seja na escola, quando ainda são crianças, ou depois nas ruas, quando já mais velhos e livres para circular a vontade.
Nesse sentido, é importante que a lei continue rigorosa com os caloteiros que abandonam os filhos e não contribuem para o seu desenvolvimento nem para sua educação. Mesmo considerando que o encarceramento não seja a melhor solução para esses casos, é fundamental que a Justiça continue pressionando esses pais irresponsáveis a cumprirem seu dever, pelo menos atrapalhando-lhes a vida de vez em quando, nem que seja por 30, 60 ou 90 dias, conforme determina a lei. Como diz a sabedoria popular, ‘quem pariu Mateus que o embale’.