Por volta das 10 horas do dia 10 de setembro, o telefone da casa do bispo da Diocese de Franca, dom Pedro Luiz Stringhini, 59, tocou. A ligação de Brasília era do núncio apostólico dom Giovanni D’Aniello, representante do Papa Bento XVI no Brasil, para avisá-lo de que seria transferido para a Diocese de Mogi das Cruzes. Dom Pedro disse que ficou “perplexo com a notícia”, mas aceitou a transferência. “No dia fiquei meio confuso e agora a emoção começa a vir. Fiquei três anos em Franca e, de fato, é um tempo muito curto, imaginava que não ficaria para sempre, porque é normal ser transferido, mas esperava permanecer aqui cinco anos. Mas a gente reza, reflete e toca a vida.” Dom Pedro continua à frente da Diocese de Franca até 24 de novembro, quando toma posse como bispo em Mogi das Cruzes.
Dom Pedro celebrou a missa das 7 horas na Catedral ontem e, no fim da cerimônia, a transferência foi anunciada aos fiéis. O bispo foi abraçado por eles e muitos se emocionaram. Nas redes sociais, a notícia surpreendeu e gerou lamentos. Dom Pedro recebeu vários telefonemas e comentários ontem sobre a mudança, inclusive de dom Paulo Evaristo Arns, 91, arcebispo emérito de São Paulo. “Não esperava a transferência, porque o núncio esteve em Franca na Festa Diocesana da Família em agosto e não acenou para essa possibilidade, embora o processo já estivesse ocorrendo, porque é muito demorado. Do ponto de vista do que é humano, é claro, o povo fica triste, eu fico triste e a gente fica dividido, porque não posso chegar em Mogi com tristeza. Uma parte de mim está sendo retirada, que é todo esse carinho do povo”, disse dom Pedro.
A notícia foi dada ao bispo há dez dias, mas apenas ontem a transferência foi oficializada com a publicação no jornal do Vaticano e pôde ser divulgada à comunidade. Mogi das Cruzes está Sé Vacante (sem bispo) porque o bispo anterior, dom Airton José dos Santos, foi nomeado arcebispo de Campinas, onde assumiu em maio de 2012.
Dom Pedro tomou posse em Franca no dia 21 de fevereiro de 2010. Teve atuação marcante à frente da Diocese, que abrange 19 municípios. Ficou conhecido por ter um relacionamento próximo com os jovens e com a imprensa e por se posicionar sempre sobre diferentes assuntos, como no caso envolvendo Padre José Afonso Dé, que foi acusado e condenado pela Justiça comum a mais de 60 anos de prisão por estupro e atentado violento ao pudor. “Foi um tempo intenso realmente na minha vida. Sou mais ativo que parado e a Diocese de Franca é muito movimentada. Acho que foi um bom casamento entre minha personalidade e a igreja daqui.”
O bispo ressaltou trabalhos como a instalação de 11 paróquias em Franca, Jeriquara, Ribeirão Corrente, Buritizal e Ituverava. Além da intensificação do trabalho da Pastoral Vocacional. Quando assumiu, eram nove e hoje são 22 seminaristas.
Dom Pedro mobilizou diferentes segmentos da comunidade e realizou debates com defensores públicos da cidade, secretários municipais, representantes das pastorais sociais, policiais militares e juízes sobre a situação dos moradores de rua. Em 2010 auxiliou um grupo de pessoas que viviam no prédio inacabado e abandonado que era conhecido como “piscinão”, na avenida Major Nicácio. A situação desses moradores foi denunciada em reportagem do Comércio em fevereiro de 2010 e o local desocupado. “A solução para o povo de rua é muito difícil de ser encontrada, mas pelo menos refletimos sobre o problema e como restaurar a vida dessas pessoas”, disse.
A Diocese de Franca abrange 19 municípios com população aproximada de 600 mil habitantes. Já a de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, possui 10 cidades e cerca de 1,5 milhão de pessoas.