Na cidade conhecida como a capital do calçado, visitar fábricas, fazer promessas e pedir votos aos sapateiros é compromisso obrigatório na agenda de quem sonha em ser prefeito. O setor emprega pelo menos 25 mil trabalhadores formais. De olho neste filão, os candidatos intensificaram o corpo-a-corpo no chão da fábrica no momento em que a campanha entra na reta final.
É a chance que os prefeitáveis têm de encontrar um grupo grande de pessoas reunidas no mesmo lugar para se apresentar e falar de suas propostas. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Graciela Ambrósio (PP) faz campanha em pelo menos uma fábrica todos os dias. Na manhã de ontem, ficou duas horas na Rafarillo, onde trabalham 520 funcionários. “Não adianta fazer a visita correndo e só acenar de longe. Tem que conversar, olhar no olho e ouvir as pessoas. As maiores reclamações que ouço é sobre a falta de vagas em creches, moradias populares e filas para acesso à Saúde”.
O candidato do PT, Gilson Pelizaro, afirmou que visitar fábricas é prioridade em sua campanha. Ele passa por duas empresas de médio porte por dia. “O sapateiro é um eleitor preferencial do PT. Sempre tivemos uma forte votação nas fábricas. É uma excelente oportunidade de levar nossa mensagem aos trabalhadores. Na região do Distrito, por exemplo, tenho falado da intenção de construir o restaurante popular”.
O PT também usa a estratégia de fazer campanha na porta das empresas durante o horário do almoço.
Ubiali (PSB) também faz duas fábricas no máximo por dia. O candidato conta que a dificuldade é não conseguir conversar com muitos trabalhadores ao mesmo tempo. “Você fala individualmente. No Ferracini, não consegui fazer a fábrica toda numa tarde inteira. Não é só passar e cumprimentar. Gosto de explicar porque estou pedindo o voto”.
O candidato do PSDB, Alexandre Ferreira, foge da média dos concorrentes e diz visitar de seis a oito fábricas por dia. Já teria passado por cerca de cem desde o começo da campanha. A estratégia será mantida até o dia da votação. “Este tipo de visita é importante, pois o eleitorado passa a conhecer e a confiar no candidato. Passa, principalmente, a falar aquilo que ele precisa. Agora, quando o candidato não tem proposta nenhuma, é melhor ficar em casa”.