08 de julho de 2026

Marketing eleitoral


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Mudam os tempos, mudam-se os costumes. E, com eles, algumas palavras também se alteram no tocante ao uso. Ou entram em desuso. Uma delas é comício. O pessoal de hoje nem sabe mais o que significa isso. Experimente perguntar o significado para quem tem menos de 20 anos. Provavelmente, as respostas serão contraditórias.

No entanto, num passado próximo, a população tomava conhecimento das propostas e, principalmente, das promessas dos candidatos, por meio dos comícios. Esse evento eleitoral arrebanhava multidões. De velhos a crianças, todos se dispunham a ouvir os inflamados discursos que aconteciam no palanque improvisado de carroceria de caminhão estacionado.

A cada noite, um bairro diferente recebia o evento. Durante o dia, um carro de som percorria as ruas, anunciando o comício. A presença de uma dupla sertaneja servia de chamariz. Claro está que as músicas ao vivo eram executadas depois do discurso proferido pelo candidato majoritário. Antes, falavam os candidatos a vereador.

Com o fim dos comícios, surgiram as passeatas. Neste tipo de propaganda eleitoral, o candidato a prefeito e a vice, acompanhados de postulantes a uma vaga na Câmara, mais os cabos eleitorais, percorrem ruas e avenidas para levar as propostas. Haja fôlego! Por força do tempo quente, alguns candidatos estão caindo pelas tabelas. Calor e falta de preparo (físico) são os responsáveis pelas variadas indisposições.

O comício perdeu terreno para a TV. Aliás, este meio de comunicação inovou o evento. O eleitor passou a ficar em casa. Os candidatos foram para o estúdio. O primeiro debate ocorreu na década de 1960 entre Nixon e Kennedy nos EUA. Mais ainda, o embate foi decisivo. Kennedy se elegeu graças à TV. De lá para cá, a informatização arrebanhou a propaganda eleitoral.

Apesar de toda gama de comunicação eletrônica disponível hoje para a divulgação de propostas eleitoreiras, tem candidato que prefere afixar tabuleta. Não bastasse o desrespeito à lei eleitoral, ainda usa madeira roliça. Fora o mau gosto, no mínimo, há uma atitude antiecológica nisso. Se as estacas forem de eucalipto, elas foram cortadas antes do tempo. Caso contrário, cabe até uma investigação de crime ambiental.

Nestas últimas semanas em que ainda se permite propaganda eleitoral, o vale-tudo toma conta da campanha. Talvez algum candidato até ressuscite o comício. A passeata tem se mostrado cansativa para esta época do ano. Na outra vertente, placas e panfletos sofrem com restrições legais, isso sem contar que tais métodos, na verdade, além de obsoletos, são ineficazes.

A solução pode estar em se colocar a política no seu mais alto sentido. Entrevista, debate ou sabatina servem para expor o histórico do candidato ao público. A influência do voto advém daquilo que foi feito antes. Atitudes claras são observadas pelo eleitorado. Marketing político arcaico não convence mais. Muito menos, conversa mole!

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br