08 de julho de 2026

DNA dos roubos


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Nesse mundo mais complexo em que vivemos, a análise e o planejamento são imprescindíveis. Isso acontece com pessoas e com organizações. Para competir a adiantar-se à concorrência, empresas fazem primeiramente uma análise apurada do ambiente externo e de suas forças e fraquezas. Depois planejam e implementam estratégias e táticas de atuação.

Da mesma forma, pessoas analisam as tendências e o mundo em que vivem para planejar suas ações. Fazem isso em relação ao trabalho e à carreira. Repetem o mesmo em termos de planejamento familiar ou até mesmo em relação ao lazer e ao entretenimento.

Dentro desse contexto, é importante constatar que essa preocupação estratégica também está chegando às corporações policiais. É o que se pode depreender de matéria publicada por este Comércio no domingo, 09/09. Ela mostra que a Polícia Militar de Franca utilizou-se dos dados existentes no Sistema de Informações Criminais (Infocrim) para traçar um retrato detalhado dos crimes que acontecem na cidade. De mesma forma que as empresas se utilizam de uma “inteligência” para aumentar a sua competitividade, a polícia está começando a utilizar-se de uma espécie de “inteligência de segurança” para aumentar a sua efetividade.

Nesse sentido, conseguiram precisar os veículos mais usados pelos bandidos (motos), as armas mais utilizadas (armas de fogo), os valores levados (entre R$ 100 e R$ 500) e os principais disfarces com os quais os malandros procuram se esconder das inúmeras câmeras que se espalham pela cidade (capacetes de moto).

Com esses dados em mãos, a PM agora poderá planejar melhor suas ações, da mesma forma que fez em relação à onda de crimes que começou a “varrer” a avenida Abrahão Brickmann, no Parque Vicente Leporace. Cientes de que o índice de crimes estava acima da média naquela região, a corporação reforçou o policiamento em pontos estratégicos da avenida, conseguindo com isso reduzir de cinco para zero o número de crimes na avenida, considerando os meses de julho e agosto.

Obviamente, isso é ótimo para a cidade. Há, porém, que se ter certa cautela quanto à efetividade desse planejamento estratégico. A despeito de sua fundamental importância, se ele não vier acompanhado de uma preocupação constante com a capacidade de ação e com os recursos disponíveis para implementar as ações necessárias, com certeza a PM estará apenas trocando seis por meia dúzia. Algo parecido com a história do cobertor curto demais. Quando se cobre a cabeça, descobre-se os pés e vice-versa.

Com os índices de criminalidade crescendo, concentrar policiais em alguns lugares, sem aumentar efetivos ou a própria mobilidade da PM, talvez venha a servir apenas para deslocar a ação dos criminosos, mas não para coibi-la. Percebendo essa concentração, os bandidos com certeza escolherão outro lugar para seus roubos.

A situação realmente não é fácil. Mas, de qualquer forma, esse planejamento é com certeza um bom começo.