07 de julho de 2026

Quem é Jesus


| Tempo de leitura: 5 min

O mês da Bíblia que estamos vivendo, instituído em 1971, tem a finalidade de instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus e difundir o conhecimento das Sagradas Escrituras. Isso contribuiu sempre para a aproximar o Povo de Deus da Bíblia

Celebrando o 24º Domingo do Tempo Comum, os discípulos de Jesus são interrogados por Ele sobre quem dizem que ele é. Com a nossa caminhada de fé também somos questionados e devemos responder quem é Jesus na nossa vida. Meditemos sobre os ensinamentos da Palavra de Deus.

PRIMEIRA LEITURA — ISAÍAS 50
Quais são as pessoas que têm valor na nossa sociedade? De quem todos falam com admiração? Dos homens bem-sucedidos, dos poderosos, dos vitoriosos, dos que conseguem impor-se na política, no comércio, no esporte.

No Antigo Testamento Deus começou bem cedo a educar o seu povo numa lógica nova. Mostrou que as suas preferências são para os humildes. Escolheu Israel dentre todos os demais povos, não porque fosse grande e famoso, mas porque era o mais insignificante; escolheu Davi, o menor dentre os filhos de Jessé, porque ele “não vê o que o homem enxerga: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração”.

Em parte alguma da Bíblia, porém, Deus se revelou de uma forma tão transparente a respeito desse tema como nos famosos trechos sobre o “Servo do Senhor” que se encontram no Livro de Isaías.

Neste dia nos é reapresentada essa figura misteriosa, na primeira leitura. Trata-se de um homem ferido, humilhado, insultado, derrotado, que Deus, porém, não abandonou nas mãos dos seus inimigos: glorificou-o, fazendo com que sua obra seja vitoriosa e mostrando a todos que ele era um justo.

O que não deixa dúvidas é que os primeiros cristãos interpretaram esse personagem como a imagem do seu Mestre. Jesus de Nazaré, rejeitado pelos seus contemporâneos, hostilizado e derrotado pelos chefes políticos e religiosos do seu tempo, foi reconhecido por Deus como o verdadeiro vencedor, com a ressurreição.

SEGUNDA LEITURA — TIAGO 2
Não são frutos que dão vida à árvore, entretanto, a árvore que não produz frutos é como se estivesse morta. Da mesma forma a fé que não conduz a produzir obras ensina Tiago é morta.

De que obras ele está falando? Com certeza não das práticas rituais, do culto, das solenes liturgias do templo. Tiago já ensinou que a “religião pura e sem mancha” consiste em ajudar os órfãos e consolar as viúvas nas suas tribulações, em respeitar os pobres e praticar obras de misericórdia.

Todos nós ficamos perplexos diante do coração generoso de algumas pessoas que não frequentam a Igreja ou que, até mesmo, se declaram ateias.

Se o ato de fé se restringisse a um raciocínio, se consistisse somente na adesão fria e clara a uma verdade revelada, certamente estas pessoas que não conhecem Cristo não teriam fé. Mas o Espírito do Senhor Jesus não aceita permanecer enclausurado nos limites da estrutura eclesial.

Ele atua com liberdade em todos os seres humanos, vivifica também os pagãos, a todos impulsiona para realizar obras de amor. Quem se deixa conduzir com docilidade por seus estímulos, embora não esteja consciente desta realidade, enveredou pelo caminho da fé, acredita mais do que aquele que, em altas vozes, professa todos os dogmas, mas não toma a decisão de adaptar a sua vida ao evangelho.

EVANGELHO — MARCOS 8
Começa com o trecho de hoje a parte central do Evangelho de Marcos, na qual Jesus revela sua verdadeira face, quando ele responde à pergunta que todos estão se fazendo. Ao longo do caminho dirige aos discípulos duas perguntas, das quais a primeira bastante simples: “Quem dizem os homens que eu sou?” e a segunda, mais comprometedora: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Eis porém, que hoje temos uma surpresa: depois de ter relatado o que se diz por aí a seu respeito, Pedro, também em nome de todos, mostra que já entendeu tudo. Diz-lhe: “Tu és o Cristo!” Tu és o Messias, o Salvador do qual todos os profetas falaram e que o nosso povo na sua totalidade espera. Pedro respondeu com exatidão só na forma, pois na verdade, a ideia que ele tem de Jesus está completamente distorcida. Se ainda medimos o crescimento do Reino de Deus baseados na fama, nos triunfos, nos aplausos alcançados, não estamos vendo a realidade sob o prisma de Deus, mas seguindo os critérios dos homens.

Na segunda parte do trecho “começa a ensinar” aos discípulos “que o Filho do Homem deverá sofrer muito”, que o seu destino não será o sucesso, mas o fracasso. Os discípulos não conseguem nem entender nem aceitar a perspectiva da doação da vida. A lógica dos homens só pode sentir-se perturbada diante de uma tal proposta, e de fato Pedro, em nome de todos, reage. A resposta de Jesus à tentativa de Pedro de afastá-lo do seu caminho, está quase marcada pela ira: “Afasta-se de mim, Satanás!”

Depois de ter repreendido Pedro, Jesus se dirige para todos. Três são os imperativos que caracterizam a radicalidade de uma escolha que não admite tergiversações e rodeios: “renega a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-me!” Renegar a si mesmo significa: “Não pense somente em si mesmo”. O cristão distribui amor gratuitamente, sem esperar vantagens, do mesmo jeito que Deus faz. A segunda exigência: “toma a tua cruz”. O Cristão não procura o sofrimento, mas o amor. A terceira exigência “segue-me”, não significa “toma-me como modelo”, mas “participa da minha escolha, “toma parte no meu projeto”, “consagra tua vida por amor ao ser humano, junto comigo”.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br