Passados cinco anos do afastamento do então presidente Wilson Pedro de Souza, o homem que assumiu o comando da AEC Castelinho, Clóvis Alberto de Castro, publicou um folheto que vai bem além da prestação de contas. Além de nomear todas as dívidas deixadas pela antiga diretoria, o informativo traz um editorial assinado por Clóvis, que diz que o ex-presidente “comprovadamente lesava os cofres da instituição, o que a afundou em dívidas de todos os tipos”.
A reportagem tentou ouvir o ex-presidente e seus diretores, mas não conseguiu localizar ninguém. Foram contatadas diversas pessoas próximas a Souza, que também não souberam informar se ele ainda mora em Franca. O vice-presidente da antiga gestão, José Finardi Garcia, já morreu.
No documento, Clóvis lista dívidas trabalhistas, fiscais, judiciais, com fornecedores, entre outras, o que resultou num montante de mais de R$ 2,4 milhões pagos pela atual gestão, que se intitula Amigos do Castelinho. Diz ainda que quando assumiu o clube, a dívida girava em torno de mais de R$ 3 milhões, o que colocava o patrimônio do clube à beira de um leilão.
“Quando nós pegamos a gestão, tínhamos uma ideia de quanto seria a dívida tributária (R$ 1,16 milhão). Mas que a dívida trabalhista chegava a R$ 1,6 milhão nós não fazíamos ideia. É a segunda maior dívida do clube. O problema da dívida trabalhista é que ela deve ser paga assim que é decretada. Sofremos muito com isso, perdemos noites de sono.”
De acordo com Clóvis, a recuperação do Castelinho se deu através de captação de recursos em parceria e investimentos nas áreas em que havia essa possibilidade. “O investimento que fizemos no clube chega a R$ 4 milhões. Podem até perguntar: ‘por que ao invés de investir R$ 4 milhões, vocês não pagaram a dívida?’. Uma empresa funciona assim. Se você não investir em uma máquina nova, você não gera produção para pagar a dívida. Conseguimos acertar isso. Foi visão empresarial e um golpe de sorte”, diz.
Segundo o atual presidente, o clube era muito mal gerido, estava totalmente sucateado. “Invertemos a situação do clube, que era 80% comercial. Hoje nosso foco é 80% no social e 20% no comercial. Por isso que as pessoas vieram, o Castelinho voltou a ser clube social”, afirmou Clóvis. Quando a nova gestão começou a administrar o clube, o número de funcionários também foi reduzido: caiu de 110 para 35 pessoas.