08 de julho de 2026

Jogo de empurra


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Ministro da Saúde vem a Franca e diz que a culpa pela fila das cirurgias eletivas é da Prefeitura, que diz que é do Estado, que diz...

Os problemas da Santa Casa continuam no mesmo patamar em que estavam. As cirurgias eletivas, por exemplo, continuam com uma fila enorme, sem perspectiva de solução no curto prazo. Mas se geram problemas para a população, por um lado, geram também dividendos políticos em época de campanha, negativos para alguns e positivos para outros.

Foi o que aconteceu na semana passada com a vinda do ministro da Saúde. Sem nenhuma cerimônia, Alexandre Padilha se disse espantado com o número de pessoas na fila das eletivas e garantiu que a culpa é da Prefeitura, que não correu atrás das verbas que fazem parte da Política Nacional de Acesso aos Procedimentos Cirúrgicos Eletivos, um programa criado em 2011 e que, segundo o ministro, aumentou o número dessas cirurgias em 65% no ano passado, na comparação com 2010.

A despeito das conotações políticas dessa declaração, é de se acreditar que o ministro não tenha exagerado nos números e na disponibilidade de verbas, já que a questão é de suma importância para boa parte dos cidadãos francanos.

Nesse sentido, a declaração de Padilha desencadeou um verdadeiro jogo de empurra-empurra entre todos os envolvidos. O candidato apoiado pelo atual prefeito, Alexandre Ferreira, que já havia jogado o problema para o governo estadual na sabatina realizada no GCN, voltou a confirmar sua versão. Para ele, o Estado errou na gestão dos serviços, o que fez com que a fila aumentasse desde 2007, quando assumiu a gestão da saúde. A Secretaria Estadual de Saúde, por sua vez, desmentiu o candidato, afirmou não ter errado na gestão dos recursos e serviços e jogou o problema de volta para a Prefeitura Municipal.

Nesse jogo em que a razão parece esconder-se, o que sobra é um tiroteio inútil e sem objetividade, que atinge apenas a parte mais sofrida da população. Os atiradores parecem mirar mais seus objetivos políticos do que uma real solução dos problemas da saúde.

Nesse sentido, seria interessante um cessar fogo geral. Nossos deputados poderiam dar uma ‘forcinha’ para que essas verbas chegassem a nossa cidade. A Santa Casa, por sua vez, também deveria entrar de cabeça nessa luta, já que também tem sua parcela de responsabilidade.

À Prefeitura, porém, caberia vestir a carapuça e correr mais atrás dessas verbas, já que nesses oito anos de governo não conseguiu mostrar à população que tenha feito grande esforço para consegui-las. Mesmo que não consiga resolver o problema em sua totalidade, pelo menos trará para a população certo conforto com a demonstração de interesse, atenuando o sentimento de frustração que atualmente perpassa toda a comunidade de forma geral.