08 de julho de 2026

Nos tempos do Barbosinha


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O primeiro prefeito de Franca, eleito diretamente pelo povo, foi o Dr. Antônio Barbosa Filho. Antes, os prefeitos eram escolhidos pela Câmara dos Vereadores e, nos períodos ditatoriais, os intendentes eram nomeados pelo governo.

Em 1947, realizou-se a primeira eleição direta para Prefeito Municipal sob a presidência do Juiz Eleitoral, o Dr. Atugasmin Médice Filho. Barbosa foi o vitorioso e governou a cidade nos quatro anos subsequentes.

Conheci muito bem o Dr. Barbosinha (assim chamado carinhosamente pelo povo). A explicar o próprio apelido, pode-se perceber que o homem não era dotado de grande compleição física. Andava sempre de paletó, gravata, chapéu e um indefectível guarda-chuva para proteger o seu vitiligo dos raios solares. Chamavam-no também de “o homem do guarda-chuva “ . Formado em Agronomia pela Luís de Queirós, e viajou para os Estados Unidos a fim de aprofundar os seus conhecimentos. Preocupado com os problemas de infra-estrutura urbana, o Dr. Barbosa foi, sem dúvida, um dos melhores Prefeitos de Franca. Além de bom administrador, era incontestavelmente um grande líder político. Sua influência na política francana fez-se sentir até nos inícios da década de 60. De suas mãos saíram, dentre outros, José Resende, Onofre Sebastião Gosuen, Granduque José e Hélio Palermo. Apoiado pelo Barbosinha, o Dr. José Guerrieri de Resende perdeu as eleições para o Dr. Ismael Alonso y Alonso. Lançado por Barbosa, Gosuen, o “padeirinho da Estação “, venceu o Dr. Antônio Baldijão Seixas. Hélio Palermo, também pupilo de Barbosinha, tornar-se-ia prefeito de Franca por duas gestões. Granduque quase chegou à Prefeitura, mas os fados não lhe foram favoráveis.

O Dr. Barbosa Filho não era um grande orador (como Granduque José). Não tinha boa voz e nem a eloqüência exigida. Falava baixo, pensava muito e sabia o que falava. Era um estrategista que gostava da política e das vitórias.

Nos tempos do Barbosinha, a briga política era mais acirrada. Não faltava quem portasse um 45 na cintura para defender-se de alguma calúnia ou difamação. A política despertava um interesse maior. A população dividia-se entre as facções partidárias. Havia mais emoção, mais comprometimento, mais participação. Por outro lado, havia também mais inimizades, mais vinganças, mais perseguições. Todavia, os políticos, perante o povo, não tinham uma imagem tão desgastada e desmoralizada como os de hoje.