Em um ano, o francano pegou emprestado mais de meio bilhão de reais. De acordo com dados do Banco Central, a variação de operações de crédito de junho de 2011 a junho de 2012 cresceu 36,2%. No ano passado, os seis primeiros meses somaram R$ 1,61 bilhão. Em junho deste ano, o número saltou para R$ 2,19 bilhões, quantia recorde nos últimos dez anos.
Apesar de o Banco Central não detalhar o destino das operações de crédito, o economista Vicente Golfeto acredita que a maioria dos empréstimos seja proveniente de financiamentos de imóveis. “É visível em Franca a explosão do mercado de construção civil. O preço dos imóveis está subindo garantido pelas operadoras de crédito. Esmagadoramente, a maior parte destes financiamentos são feitos pelas caixas econômicas”, diz. Em segundo lugar, viriam os financiamentos de automóveis, seguidos de descontos de duplicatas e empréstimos em cheque especial.
De acordo com Golfeto, a atual oferta de empregos (leia texto nesta página) garante a renda e faz com que a economia fique centrada no crédito. No entanto, o economista recomenda cautela ao se decidir por recorrer a um empréstimo. “Meio bilhão (de reais) em um ano é uma quantidade grande. Apesar de a economia estar atualmente centrada no crédito, deve-se lembrar que o crédito é o pai da inadimplência. A inadimplência é filha do crediário.”
Não há como especificar se o aumento do acesso ao crédito refletirá diretamente em mais pessoas endividadas. “Por enquanto, o que não permite a ocorrência da inadimplência é o mercado de trabalho, que está gerando empregos. Dessa forma, a renda está lastreando a economia. Já a produtividade na indústria não está ocorrendo como antes, e isso não é observado somente em Franca. O recuo da produção industrial está no Brasil todo. É uma equação difícil de resolver”, ressalta Golfeto.
Realizar o sonho da casa própria, comprar um carro zero e adquirir cada vez mais bens de consumo é uma realidade que o brasileiro passou a ter acesso somente nos últimos anos. A ascensão de classes, principalmente da classe C, deu à população mais alternativas para investir no consumo, uma vez que o acesso ao crédito passou a ser mais fácil diante da nova conjuntura econômica. “O consumo, lastreado no crédito, vem com certeza da renda proveniente do emprego. A economia está indo bem. Enquanto os empregos garantirem a renda, a inadimplência estará afugentada. Mas se começar a haver um esgotamento do mercado de trabalho, aí fica difícil. Manter as despesas e cortar a receita torna a situação complicada”, alerta o economista.