09 de julho de 2026

Candidatos exploram mistério da dívida da Prefeitura em debate


| Tempo de leitura: 4 min
Candidatos a prefeito são vistos na tela da câmera do estúdio da Nova TV: debate não empolgou

Os sete candidatos a prefeito de Franca se enfrentaram ontem no segundo debate promovido pela Nova TV. Difícil acreditar que algum eleitor tenha se decidido a partir do que assistiu. No geral, o encontro foi morno, a exemplo do que ocorre na campanha eleitoral. A monotonia só foi quebrada quando os concorrentes exploraram o mistério sobre a dívida da Prefeitura e a extensa fila por uma cirurgia eletiva.

Os temas que pautaram o debate vieram à tona durante sabatina do GCN, há uma semana, com Alexandre Ferreira. O candidato do PSDB disse que a Prefeitura tinha uma “dívida brutal” para pagar e que o Estado, governado pelo mesmo partido, era o responsável pelo aumento da fila de eletivas. Dias seguintes, ele foi desmentido pelo secretário de Finanças, Sebastião Ananias, e também pelo governo.

O desmentido foi explorado ao longo de quase todo o debate. “Alguém tem o nariz comprido. Precisamos saber quem é”, provocou Gilson Pelizaro (PT). “A propaganda de continuidade não procede. O candidato do PSDB não tem bom relacionamento com os secretários”, afirmou Graciela Ambrósio (PP). Cassiano Pimentel (PV) disse ter ficado surpreso. “Se tem uma dívida tão alta, por que compraram o prédio do ‘esqueleto’? Como não há transparência e os membros do governo não se entendem, só vamos saber da situação real no dia 1º de janeiro.”

Entre a apresentação de uma ou outra proposta genérica, os prefeitáveis tentaram explorar falhas da atual administração, principalmente no setor de Saúde, pasta comandada pelo candidato tucano nos últimos seis anos. Marcelo Bomba (PTC) questionou Alexandre porque só agora, durante a campanha eleitoral, é que o governo sinaliza com aumento dos repasses para a Santa Casa. “Pergunte para o governo, não para mim. Eu sou candidato”, respondeu o tucano.

Como foi o debate
>> GRACIELA
Graciela Ambrósio (PP) fez referências à dívida “brutal” mencionada por Alexandre Ferreira e criticou a administração por não investir em questões prioritárias, como a
construção de moradias para baixa renda.

Graciela disse também que vai organizar a Saúde, zerar a fila de eletivas, melhorar a segurança na porta de escolas e colocar defensas nos córregos. “Minha prioridade será a vida. Vou cuidar das pessoas.”

>> UBIALI
Marco Ubiali disse que dá para colocar seus projetos em prática com o aumento do orçamento municipal. Pretende criar uma fundação de apoio à Saúde para resolver o problema da falta de médicos e reforçou que quer a Guarda Municipal com mais de 300 ho-mens. Defendeu o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e disse que não é oposição, nem situa-ção. Citou ainda “um acordo” entre ele e o PSDB para o 2º turno.

>> PELIZARO
Durante o debate na noite de ontem, o candidato petista a prefeito de Franca, Gilson Pelizaro, teve como principal alvo as ações do governo atual, comandado pelo PSDB. Em especial, a Saúde e Alexan-dre Ferreira. “Tem gente que não deu conta da Saúde e agora quer dar conta da cidade”, disse. Gilson também criticou “a falta de transparência da administração Sidnei Rocha quanto ao valor da dívida do município”.

>> ALEXANDRE
O candidato a prefeito pelo PSDB, Alexandre Ferreira, mais uma vez, preferiu falar sobre os projetos já existentes na administração Sidnei Rocha do que apresentar ideias próprias. “Nosso governo nos últimos anos transformou a cidade.” O tucano foi um dos mais criticados durante o debate da Nova TV e se defendeu de forma evasiva. “Nós temos um plano de governo. Não vamos perder tempo desqualificando os adversários.”

>> CASSIANO
Cassiano Pimentel (PV) respondeu a todas as perguntas sem demons-trar nervosismo. Questionou muito a dívida do município. “Temos dúvidas quanto às dívidas do atual governo. Não tem transparência (...) Me preocupa o que encontraremos dentro da Prefeitura.” Falou também de seus projetos de combate às drogas, principalmente entre jovens, e defendeu o PSF forte. “Mudança na saúde se faz com prevenção.”

>> BOMBA
O candidato a prefeito Marcelo Bomba (PTC) foi o único a alterar a voz em vários momentos durante o debate de ontem. Classificou a licitação do transporte público da cidade como “coisa de louco”. Criticou também o anúncio da cons-trução de creches pelo prefeito Sidnei Rocha no horário eleitoral de Alexandre Ferreira: “Dizem que construíram 26 creches e 300 salas de aula. Se fez, mostra onde estão.”

>> HAMILTON
Hamilton Chiarelo (PSol) atacou Graciela Ambrósio (PP) por ela ter votado contra um projeto de habitação no Jardim Santa Bárbara. Criticou também a Santa Casa, o fato da gestão plena da Saúde ter sido transferida para o Estado e Marco Ubiali (PSB) por ele ser cooperado da Unimed e o hospital não ter se ofe-recido para realizar cirurgias eletivas. Falou em “incentivos” para resgatar a “autoestima” da indústria calçadista.