Enquanto a cidade toda torce para chover, uma parte de Franca quer se livrar do calor infernal, mas teme o início da temporada das águas. São moradores da região do córrego Engenho Queimado - Vila São Sebastião, área de erosão que já sofreu desmoronamentos. Há dez meses, eles esperam a liberação de R$ 18,5 milhões pelo Governo Federal (recursos do PAC II - Programa de Aceleração do Crescimento) para revitalizar o córrego e liquidar o problema. Mas a verba não tem data para ser liberada nem o início das obras.
O convênio entre a Prefeitura e a União foi assinado em novembro de 2011. A Secretaria de Urbanismo alega que o projeto final ficou pronto e foi remetido ao Ministério das Cidades há cerca de dois meses e agora depende de ter o dinheiro liberado para contratar a construtora e dar início às obras. A assessoria da Presidência da República alega falta de documentos ainda (leia texto nesta página).
O projeto prevê a canalização de quase dois quilômetros de extensão do córrego Engenho Queimado, com contenção dos taludes; construção de campo de futebol, quadra poliesportiva, de vôlei de areia, área de convivência, pista de bicicross e de caminhada. O projeto inclui a construção de 120 moradias para famílias de baixa renda.
Os moradores esperam ansiosos pela recuperação da área. Pelo menos dez casas da avenida Madir Alves Pimenta, onde moram em média 40 pessoas, têm os fundos na parte que sofreu erosão. Para quem vive nesses imóveis, chuva é sinônimo de pavor. A dona de casa Elizabete Maria da Silva, 51, mora na avenida há 16 anos e ficou traumatizada após uma forte chuva em janeiro de 2010 quando as águas derrubaram cerca de 40 metros do terreno. “Essa vez que caiu, estava dentro da casa e fiquei desabrigada, porque caiu tudo lá embaixo.”
Elizabete teme reviver o drama. “No tempo da chuva, a gente tem medo porque só chove e vai caindo, o medo é cair tudo.”
A pespontadeira Daniely da Silva, 28, mora bem próximo da parte que desmoronou no quintal da sua casa. Em dias de chuva, ela, o marido e o filho de 7 anos dormem na casa da mãe dela, que fica na parte da frente do terreno. “Entro em pânico quando chove porque quando cai, leva tudo de uma vez, não vai caindo de pouquinho, então pode levar tudo com a gente.” Daniely calcula que da janela do seu quarto até o “buracão”, a distância seja de sete metros. “Antes era uns 50 metros.”
Daniely está sem esperanças de ver a revitalização sair do papel. “A gente já até largou de mão e nem acredita que vão fazer alguma coisa.”