Se já não bastassem a insegurança e o medo que recaem sobre todos os cidadãos francanos antes de saírem de suas casas, agora sair do banco também se tornou uma preocupação ou até mesmo uma aventura para boa parte da população, já que as ‘saidinhas de banco’ estão se consolidando cada vez mais como uma boa alternativa para bandidos e delinquentes.
A receita desse novo modelo de assalto já é conhecida por todos. Disfarçadamente, alguém fica espionando a movimentação dos correntistas dentro do banco. Quando percebe alguma retirada mais significativa, marca o cidadão que imediatamente (e mesmo sem saber) se transforma em vítima. Depois é só não perdê-lo de vista e avisar os comparsas que já estão apostos do lado de fora do banco. Daí para fazer a abordagem e cometer o assalto é só uma questão tempo e de espera pelo momento e lugar mais oportunos.
Em função da dificuldade de se combater esse tipo de crime, já que a imensa maioria das pessoas não anda com seguranças pelas ruas da cidade e não tem carro blindado, em setembro de 2010 foi sancionada uma lei municipal que buscava pelo menos minimizar as causas desse tipo de violência. Por meio dela, todos os bancos ficaram obrigados a instalar biombos em seus caixas para diminuir a visibilidade das transações bancárias realizadas pelos clientes.
Na época de sua aprovação, ainda em 2010, foram dados três meses para que as agências se adaptassem. Porém, passados quase dois anos, apenas algumas poucas agências se adequaram à lei. Reportagem publicada por este Comércio na quinta-feira, 30/08, mostra que 18 agências de nossa cidade foram autuadas pela fiscalização municipal por descumprimento da lei.
Como já enfatizamos nesse mesmo espaço, os bancos não podem ficar alheios a essas questões de segurança. Não podem simplesmente ‘lavar as mãos’ como se nada tivessem a ver com esse problema. Apesar de não cuidarem das ruas da cidade, têm obrigação de ajudar o máximo possível a preservar a segurança de seus clientes.
Nesse sentido, é de se lastimar essa atitude indiferente e desrespeitosa dos bancos. Ao não instalarem os biombos, parecem dizer aos seus próprios clientes que pouco se importam com eles ou com sua segurança, o que em termos de marketing é inclusive bastante obtuso, pois ao agirem dessa maneira perdem uma grande oportunidade de fortalecerem suas marcas junto ao seu mais importante público.
Para um setor tão lucrativo como o bancário, que nas últimas décadas foi bastante beneficiado pelas políticas econômicas adotadas pelo país, a colocação de biombos nos caixas poderia ser algo bastante simples, que não deveria gerar nem multas nem muita discussão.