Gilson Pelizaro, candidato a prefeito pelo PT (Partido dos Trabalhadores), nasceu em Cristais Paulista e tem 46 anos. É casado com a pedagoga Sueli Cunha Pelizaro, com quem tem três filhos. Pelizaro foi atraído pela política ainda muito jovem. Aos 18 anos já participava da direção do centro comunitário da Vila São Sebastião, bairro para o qual se mudou quando tinha um ano de idade. Em 1986, com 20 anos, assumiu a presidência da entidade e se filiou ao PT. Em 1988, participou da sua primeira eleição e foi eleito suplente de vereador. Em 1992, com 26 anos, foi eleito para o primeiro de seus quatro mandatos consecutivos como vereador da Câmara de Franca. Pelizaro foi presidente da Prohab entre 2003 e 2004. Participou das eleições municipais de 2008 como candidato a prefeito, quando conquistou 45 mil votos, e foi candidato a deputado estadual em 2010, conquistando 36 mil votos.
Comércio - Por que o senhor quer ser prefeito de Franca?
Gilson Pelizaro - Quero ser prefeito de Franca porque me preparei pra exercer o cargo. Fui quatro vezes vereador da cidade. Quatro mandatos voltados para aqueles que mais necessitam. Quero ser prefeito porque temos uma série de problemas pra serem resolvidos na cidade. Hoje, assistindo o horário eleitoral, você percebe que existe uma cidade virtual, que é a mostrada pelo atual prefeito, e uma cidade real, que são os problemas existentes, principalmente na área da saúde. Franca assiste as coisas acontecerem e seu povo sofrer; morrer aguardando autorização por fax de uma central de vaga em São Paulo para internar na Santa Casa de Franca. O francano deixou de ser um cidadão da cidade para ser um cidadão do Estado. Isso não pode ser assim mais. Quem tem que ser o gestor (da saúde) é o município.
Comércio - O senhor disse que há uma cidade “virtual” distinta da “real”, mas a administração Sidnei tem aprovação maciça da população. A população não enxerga a realidade, está iludida ou a crítica é um erro?
Pelizaro - O prefeito faz um marketing forte e consegue fazer ilusões. O que não podemos assistir é que, da gestão passada, uma fila das cirurgias eletivas de 800 pacientes passe para 13 mil.
Comércio - A saúde pública é uma das áreas mais problemáticas da cidade. Como resolver essa situação?
Pelizaro - Isso é um problema de gestão. Não podemos jogar nas mãos do Estado uma responsabilidade que é do município. Temos que mudar isso, quem tem que regular vaga, pedir para a Santa Casa abrir vaga para o povo ter acesso, é a prefeitura.
Comércio - Faltam médicos no PS. O governo Sidnei Rocha fez 5 concursos e não conseguiu contratar. O que o senhor faria pra atrair profissionais?
Pelizaro - Primeiro, dar qualidade no trabalho desses profissionais. Eles têm que ter garantias para fazer um trabalho na saúde. Um profissional que atende alguém no pronto socorro que precisa ser internado mas vai ficar horas esperando, e o paciente corre o risco de morrer nas mãos dele, não é descaso do profissional, é do poder público. É essa a grande dificuldade de contratar médico.
Comércio - É essa ou é salário?
Pelizaro - Essa é a principal. Temos que dar tranquilidade pro médico e, sem dúvida, rever a questão salarial. E para rever a questão salarial é só não gastar dinheiro inutilmente. Não precisa comprar prédios velhos na cidade para ajudar a iniciativa privada e deixar de atender aquilo que é obrigação da prefeitura.
Comércio - Um dos poucos conceitos sobre os quais petistas e tucanos concordam, pelo menos os que administraram a cidade nos últimos 16 anos, é que a arrecadação do município é baixa. O senhor pensa em aumentar impostos como o IPTU? Ou que fará pra multiplicar o dinheiro dos cofres púbicos?
Pelizaro - Absolutamente. O recurso do IPTU no orçamento não é tão significativo assim e aumentar não vai resolver o problema. Não temos intenção de fazer isso. Tem que buscar parcerias. E talvez aquele que tem mais condições de trazer essas parcerias e que tem relacionamento político forte com autoridades em Brasília, sou eu. Eu sou o candidato da presidente Dilma na disputa.
Comércio - O consumo de drogas é hoje uma epidemia em Franca. Se eleito, o que pretende fazer para resolver essa questão?
Pelizaro - Queremos trazer o projeto Segundo Tempo, que tira as crianças da rua e as coloca em atividades esportivas e culturais. Vamos fazer praças do PAC, com eventos esportivos e culturais. Agora, é lógico, temos um problema que acumulou nesses oito anos. Temos que atacar de frente. Aumentar para cinco o número de CAPs, centros especializados em atender drogados, e colocar um 24 horas. Trazer o consultório de rua, ter uma equipe pra conversar com o cidadão que enfrenta o problema da droga, tentar convencê-lo a sair desse mundo.
Comércio - O senhor defende a internação compulsória dos dependentes químicos?
Pelizaro - Entendo que às vezes a pessoa não tem condição de decidir, acho que tem que ter uma avaliação, conversar com profissionais da área. Talvez, se for necessário, acho que o poder público tem que fazer essa discussão. Agora, o melhor é no convencimento.
Comércio - E os que não são viciados, mas querem ficar na rua, o senhor defende que eles têm esse direito?
Pelizaro - Temos a Constituição, artigo 5º, que as pessoas têm direito de ir e vir... Agora, o poder público tem que tentar convencer esse cidadão a voltar para o seio da família.
Comércio - Franca tem um problema crônico de falta de vagas nas creches. Como o senhor pretende resolver esse problema?
Pelizaro - A cidade real é essa que você acaba de dizer, mas se você assiste lá (no horário político), a “Sidneilândia” parece que é a melhor coisa do mundo, e não é assim. Temos que atacar de frente esse problema. Tem recursos para fazer as creches no Governo Federal. É só deixar de ser preguiçoso, tirar a bunda da cadeira e ir atrás do recurso em Brasília.
Comércio - O senhor definiria o prefeito Sidnei Rocha como preguiçoso?
Pelizaro - Olha, ele tem mostrado isso, principalmente em relação a onde tem mais dinheiro pra resolver os problemas, que é no Governo Federal. Talvez por uma picuinha política, ele não tem procurado o Governo Federal.
Comércio - Uma das maiores reclamações da população se refere ao transporte coletivo e às tarifas. Em sua proposta, o senhor fala em construir o terminal da Estação, criar o gerenciamento do transporte, corredores para ônibus, mas não cita uma possível revisão nos valores das tarifas. Por quê?
Pelizaro - Cito sim, inclusive está na vinheta da televisão. Acho que a planilha de custo do transporte coletivo tem um problema grave. Ela é irreal, esse aumento abusivo precisa ser corrigido. A empresa de ônibus não pode fiscalizar a si própria como acontece hoje. Tem que trazer a fiscalização para a prefeitura. Vamos fazer uma revisão na planilha de custo e tenho certeza que vamos conseguir reduzir o preço da passagem.
Comércio - E a questão das gratuidades, o senhor enfrenta o problema ou deixa como está?
Pelizaro - Isso já é cultural, já está embutido no preço da passagem, não é necessário mexer na gratuidade para reduzir o preço da passagem.
Comércio - Em relação à gratuidade, não é injusto uma doméstica pagar tarifa cheia, um sapateiro pagar menos, quem é da imprensa, que é uma vergonha, não pagar nada?
Pelizaro - É, isso é uma coisa que precisa ser analisada. Alguns ajustes, de repente, a gente tem que fazer, né? Agora mexer na gratuidade do que mais precisa usar o ônibus também não é justo.
Comércio - Sidnei Rocha tirou do papel o viaduto da Major Nicácio e promete deixar projetos prontos para a construção de outros viadutos. O senhor, se eleito, pretende dar continuidade a estes projetos e obras?
Pelizaro - Com relação ao viaduto que está em execução, não seria irresponsável de dizer que não vamos terminar. Não era a prioridade que a gente queria, mas está em execução, tem que ser feito. Os outros propostos, temos que fazer um levantamento. Acho que existem outras necessidades. Por exemplo, os acessos das entradas da Vila São Sebastião e Leporace, temos que melhorar, temos que obrigar o Estado e a Autovias a fazer outros acessos.
Comércio - O Orçamento Participativo foi muito criticado na gestão de Gilmar Dominici porque, por falta de recursos, grande parte das propostas aprovadas acabava engavetada. O senhor pretende resgatar o Orçamento Participativo?
Pelizaro - Pretendo resgatar. A sociedade quer discutir com o Poder Público porque, infelizmente, há oito anos, ninguém é ouvido. Fechou-se a Casa dos Conselhos, coloca-se Secretário de Saúde para ser presidente de conselho... Isso é um absurdo. Quem tem que ser presidente de conselho é gente do povo. O povo tá ansioso, quer participar.
Comércio - No governo Gilmar Dominici, foram instalados radares em vários pontos da cidade, prática mantida - com adaptações - por Sidnei Rocha. O que o senhor pensa sobre a fiscalização eletrônica?
Pelizaro - Aquela época a fiscalização eletrônica tinha local certo e todo mundo sabia onde era. Hoje os agentes ficam escondidos para tentar fazer armadilha paro o povo. Acho que isso não é justo. Precisamos ter uma educação de trânsito adequada, fazer um trabalho preventivo. O que não pode é uma frota com mais de 200 mil veículos e a cidade com um pensamento de 30 anos atrás.
Comércio - Pergunta enviada por Ronaldo Pereira, conselheiro do jornal. Defina em rápidas palavras cada um de seus adversários.
Pelizaro - O Cassiano é um ex-companheiro do PT, uma pessoa extremamente inteligente que tem todas as condições de poder exercer o cargo de prefeito. Doutora Graciela, uma excelente vereadora, fiscalizadora e que, com grandes chances de poder ser deputada federal, vai nos ajudar muito lá em Brasília. Da mesma forma, o deputado Ubiali - mais ainda, vai trabalhar direitinho pra nós lá e vai trazer os recursos que precisamos. Alexandre Ferreira, esse não tem liderança nenhuma, talvez tenha sido o pior secretário dos últimos anos numa pasta tão essencial, que é a saúde. Ele nasceu pra ser liderado e não pra ser líder. O Hamilton Chiarelo é uma pessoa bastante esforçada, é uma pessoa honesta, digno também de exercer o cargo da prefeitura. O Marcelo Bomba não é político, então não tenho como avaliar a atuação política dele.
Nome: Gilson Pelizaro
Idade: 46 anos
Estado civil: casado com Sueli Cunha Pelizaro
Filhos: Ítalo, Igor e Heitor
Nasceu em: Cristais Paulista
Profissão: protético
Cargos que ocupou: vereador e presidente da Prohab
Religião: católica
Esporte: futebol