No último dia 28 de agosto, a Unesp-Franca foi palco de uma manifestação estudantil que causou polêmica na cidade. Convidado a proferir uma palestra naquela instituição, um dos herdeiros do que foi a família real brasileira, dom Bertrand de Orleans e Bragança, não conseguiu realizá-la.
O convite havia partido do Curso de Introdução à Vida Intelectual (Civi), um grupo de estudos que reúne cerca de 20 alunos dos quatro cursos da Unesp e tem no professor Fernando Fernandes, também diretor do campus, o seu principal coordenador.
O problema é que faltou combinar o evento com integrantes do movimento estudantil, que não gostaram nem do convite nem da presença de Bertrand na universidade e resolveram protestar. Uma semana antes do evento fizeram circular pelo campus o Boletim da Frente única Antimonarquista e Anti-latifundiária, convocando todos os estudantes para um “ato-debate” e um protesto contra a palestra de Bertrand, cujo tema focaria o papel da monarquia na formação cultural brasileira.
Os motivos alegados pelos manifestantes, que se autointitulam de esquerda, foram vários. Alegaram que o palestrante não respeitava o direito à homossexualidade e ainda por cima defendia o extermínio dos trabalhadores rurais, o trabalho infantil e o fim dos movimentos sociais, posicionamentos que seriam ofensivos à dignidade humana.
Nesse embate, a confusão acabou ofuscando qualquer possibilidade de diálogo e debate. Aos gritos de fascista, assassino e “não passarão”, cerca de 200 estudantes ocuparam o anfiteatro e acabaram provocando o cancelamento da palestra, que precisou ser transferida para o auditório da Faculdade de Direito de Franca - onde ocorreu sem problemas.
Os estudantes que impediram a palestra na Unesp estão sujeito a punições. Segundo a direção da universidade, que repudiou a manifestação, as possibilidades vão desde advertência até a mais grave das medidas, que seria a eventual expulsão.
E a Unesp já tem histórico de expulsões. Em 2005, sete alunos do curso de história foram expulsos após dois colegaas terem defecado e vomitado em frente à mesa onde se encontravam o reitor da época, Marcos Macari, e o então diretor do campus, Hélio Borghi, durante um encontro no salão nobre da unidade.
Para entender melhor o que aconteceu agora, o Comércio resolveu ouvir todos os lados. Da parte dos estudantes, conversamos com Samuel Cardoso Santana, um dos organizadores do evento e um dos líderes do grupo de estudo. Aos 21 anos, ele é estudante do 4º ano de história. Em sua opinião, o episódio foi uma vergonha para a Unesp e para a cidade.
Do grupo de manifestantes, falamos com Luís Eduardo Estival, 22 anos, calouro do curso de história. Filiado ao Psol e membro ativo do movimento estudantil, ele afirma que o ato de implosão da palestra foi legítimo, embora afirme que ele não foi planejado, mas sim resultado espontâneo do calor do momento.
E para finalizar, conversamos também com Bertrand, atual príncipe da Casa Imperial do Brasil, que não poupou crítica aos manifestantes e classificou o episódio como uma tremenda estupidez (leia a entrevista com o príncipe na página 20).