08 de julho de 2026

Micro e pequenas empresas


| Tempo de leitura: 2 min

As grandes empresas obviamente têm mais visibilidade que as pequenas. Há até pouco tempo, a maioria dos jovens sonhava sempre com um emprego em uma grande empresa, se possível em uma multinacional, o que com certeza lhe daria, para além de um bom salário, também status e perspectiva de crescimento na carreira.

Mas nas últimas décadas as coisas foram mudando. Transformações na economia e no comportamento da sociedade brasileira, aliadas a um trabalho mais efetivo de entidades e órgãos governamentais, foram colocando os micro e pequenos negócios em seu devido lugar, uma posição que no mundo todo é bastante reverenciada como importantíssima para o desenvolvimento local, sendo na verdade o principal sustentáculo de qualquer economia.

Para se ter uma idéia dessa importância, de acordo com dados do Sebrae as micro e pequenas empresas (MPEs) constituem 98% dos estabelecimentos formais existentes no país. Representam 53% dos empregos com carteira assinada, 20% do PIB (Produto Interno Bruto) e 2,7% de nossas exportações.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), desde 2000 a participação das MPEs no total de empreendimentos produtivos brasileiros cresceu a uma taxa anual média de 3,8 para as micro e 6,2% para as pequenas empresas, enquanto a taxa anual para a totalidade desses empreendimentos não passou de 4%.

No Estado de São Paulo, ainda de acordo com o Sebrae, o cenário não é diferente. As MPEs constituem 98% dos estabelecimentos existentes e respondem por 67% dos empregos formais. Em Franca, mais especificamente, o setor emprega quase 60% da população economicamente ativa e apresenta uma taxa de sobrevivência da ordem de 84%, contra 77% no resto do Estado, o que ratifica em nível municipal a força e a importância desses negócios de menor porte para o desenvolvimento de nossa economia.

Em função desses números, é importante que todas as esferas governamentais se preocupem com o desenvolvimento e a sobrevivência dessas empresas, disponibilizando para elas o máximo de recursos possíveis, o que historicamente nunca ocorreu em nosso país, a não ser timidamente nessas últimas duas décadas.

De forma geral, as linhas de crédito em bancos de fomento sempre estiveram mais facilmente disponíveis aos grandes negócios do que aos pequenos. Por questões culturais e políticas, o dinheiro público a juros subsidiados, que deveria auxiliar na sobrevivência e no desenvolvimento dos pequenos negócios, tem caído, na maioria das vezes, na conta de empresas que teriam totais condições de buscar esse crédito em bancos privados.

Já está mais do que na hora de se criarem linhas de créditos específicas para as micro e pequenas empresas, a despeito de se continuar financiando grandes grupos econômicos por motivos estratégicos de inserção do país de forma mais incisiva no mercado internacional.