07 de julho de 2026

A força do Interior


| Tempo de leitura: 4 min

Cidades paulistas de médio porte se tornam polos de atração de investimentos, superam a capital e emergem como o maior mercado consumidor do Brasil

É o que atesta a revista financeira Isto É Dinheiro desta semana em reportagem com o título acima, “A força do Interior”. Trata-se de mais uma matéria da chamada grande imprensa a respeito do potencial econômico do Interior Paulista evidenciado com a pesquisa da consultoria IPC Marketing e publicada no jornal O Estado de S. Paulo. O estudo diz que o Interior de São Paulo passou a ser o primeiro mercado consumidor do País em 2012.

A revista publica depoimentos como o do empresário paulistano Cláudio Guirão: “Há dez anos, via o Interior como uma região promissora, que prometia muito, mas não tinha a infraestrutura e a pujança que tem hoje. Agora olho como um investidor atento”. Guirão investirá R$ 300 milhões em complexo multiuso em Ribeirão Preto, que terá seis torres residenciais, hotel, shopping e cinemas. A obra deve consumir R$ 650 milhões e gerar 2,4 mil empregos diretos. “A capital é muito interessante, mas hoje as oportunidades estão aparecendo no Interior, então é para lá que vamos”, afirma outro empreendedor da área de shoppings, Marcos Romiti.

Olhar externo
Reportagem recém-publicada no jornal britânico Financial Times destacou os melhores serviços, índices menores de criminalidade e melhor mobilidade urbana como fatores atrativos para os investimentos no Interior Paulista. “Antigamente as pessoas precisavam ir para a capital para ter um bom emprego e consumir com qualidade”, diz Guillermo Bloj, superintendente do shopping. “O fluxo se inverteu.”

Tendência
Alain Ryckeboer, diretor-geral de uma das maiores lojas de material de construção do mundo, vê como natural a virada rumo ao Interior. “No Interior, a oferta de terrenos é grande e a terra mais barata”, diz. A companhia, que estuda sua implementação em cidades com população acima de 400 mil habitantes, anunciou recentemente um investimento em S. José do Rio Preto, onde o consumo cresceu 70% desde 2007.

Menos sufoco
“As capitais estão muito sufocadas em seus serviços essenciais”, diz o professor Edgard Merlo, da USP. “A ida ao Interior traz benefícios mútuos: as empresas ganham espaço e consumidores a um custo menor e a população desfruta de um aumento do nível salarial.”

Números
Este é o potencial de consumo do Interior de São Paulo em 2012: Manutenção do lar (R$ 96,37 bilhões), Alimentação no domicílio (R$ 34,82 bilhões), Alimentação fora (R$ 22,43 bilhões), Gastos com veículo próprio (R$ 19,92 bilhões), Saúde (R$ 12,71 bilhões), Medicamentos (R$ 10,96 bilhões), Vestuário (R$ 10,46 bilhões) e Transporte urbano (R$ 9,34 bilhões). A revista destacou ainda as cidades que mais cresceram em potencial de consumo no Interior Paulista: Ribeirão Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Jundiaí, São José do Rio Preto, Piracicaba, Franca, Taubaté, Limeira e São Carlos.

Crescimento
Outra pesquisa mostra que Sorocaba é a quinta cidade do Interior do país com o maior potencial de consumo. Em dez anos, a economia da cidade vai somar R$ 2,5 bilhões a mais em vendas em 45 segmentos do mercado. Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada para a revista Exame (Editora Abril) sobre o mapa do consumo no país até 2020 e foram divulgados pelo jornal Cruzeiro do Sul, da Rede APJ (Associação Paulista de Jornais).

O bolo
A pesquisa aponta que Sorocaba está atrás somente de Campinas, Uberlândia (MG), Santos e Parauapebas (PA), cidade assentada na maior província mineral do planeta, a Serra dos Carajás. No Brasil, o crescimento de vendas até 2020 deve atingir R$ 1,3 trilhão. O setor que abocanhará a maior fatia desse bolo é o de alimentos e bebidas (R$ 293 bilhões), seguido do mercado de carros (R$ 203 bilhões), bebidas alcoólicas (R$ 203 bilhões) e vestuário (R$ 158 bilhões), higiene pessoal (R$ 78 milhões), limpeza doméstica (R$ 30 bilhões), tabaco (R$ 24 bilhões), pet care (R$ 18 bilhões), eletrodomésticos (R$ 13 bilhões), motos (R$ 11 bilhões) e lazer (R$ 10 bilhões).

Sustentabilidade
Cerca de 55% da matriz energética do Estado é renovável e até 2020 o Estado aumentará esse índice para 69%, segundo o presidente da agência Investe São Paulo, Luciano Almeida. A informação foi dada na abertura do Fórum de Sustentabilidade, Energias Alternativas e Eficiência Energética da Abinee, segunda-feira, em São Paulo.

Breves
• O governo do Estado lançou o programa São Paulo Inova, que apoiará empresas de base tecnológica e perfil inovador.
• Por meio de parcerias público-privadas serão construídos hospitais estaduais em S. José dos Campos, Sorocaba e Registro.
• 1,4 milhão de crianças entre 4 e 5 anos de idade estão fora da escola no País, diz o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br