A Polícia Militar atendeu pelo menos 47 ocorrências em escolas da cidade por mês, de janeiro a agosto deste ano. No total foram 381 casos. Os dados são do 15º Batalhão da PM de Franca e incluem furtos, agressão, ameaça, tráfico e porte de drogas em unidades públicas e particulares. O número de ocorrências atendidas pelos policiais em escolas aumentou 30% na comparação com a média mensal de 2011, quando foram 36 registros por mês.
O capitão João Alfredo Henrique, chefe do setor de comunicação do 15º Batalhão da PM, não acredita que os casos tenham aumentado. Para ele, a administração das escolas e a própria comunidade estão mais encorajadas a denunciar os fatos que acontecem no ambiente escolar. “Recebemos hoje mais pedidos de viaturas vindos das escolas. Antes a direção das unidades evitava acionar a PM se houvesse alguma ocorrência, com receio da exposição do nome da escola. Mas as pessoas estão se conscientizando de que as ocorrências devem ser registradas para providências serem tomadas.”
Atrelado ao crescimento das denúncias está o patrulhamento intensificado nas portas das escolas e imediações, medida que, para capitão Alfredo, contribuiu para a evolução no número de casos revelada pelas estatísticas. “Estamos patrulhando mais as instituições e, com isso, nos deparamos mais com as irregularidades.”
Em agosto, as 5ª e 6ª Companhias da Polícia Militar iniciaram um trabalho em parceria com as equipes da Ronda Escolar e policiais se deslocam com viaturas para escolas estaduais no horário de saída - ao meio-dia - com o objetivo de combater o tráfico de drogas, vandalismo e infrações de trânsito. “Essa operação começou no mês passado e é muito recente ainda, mas deve refletir nas estatísticas nos próximos meses”, disse o capitão (leia mais nesta página).
O professor e pedagogo Paulo de Tarso Oliveira, membro do Conselho Municipal da Educação, disse que é difícil avaliar o aumento das ocorrências nas escolas de Franca. Para ele, é necessário um estudo mais detalhado das estatísticas e consulta aos professores para apontar os motivos. “O Conselho já está mobilizado para promover mesas redondas com educadores e especialistas sobre o tema violência escolar para termos dimensão dos tipos de ocorrências, onde são mais comuns e buscar alternativas para combatê-las.”
Somente em agosto duas ocorrências em escolas chamaram a atenção. No dia 9, uma estudante de 14 anos foi flagrada com maconha dentro de sua mochila numa escola do Jardim Brasilândia. Depois de denúncias anônimas, a adolescente foi chamada pela diretoria e sua bolsa foi revistada. A quantidade de maconha era suficiente para fazer três cigarros e a aluna assumiu ser usuária. A Polícia Militar foi chamada e a encaminhou à Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes).
Em 14 de agosto, o professor José Maria de Oliveira Júnior, 43, saía de uma escola do Jardim Redentor, pelo portão dos alunos, e foi agredido com socos e chutes. Três jovens foram autores da agressão. Um deles foi identificado: é aluno do ensino médio da instituição e foi suspenso por dez dias.