08 de julho de 2026

Negócio de ocasião


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Sobejamente quase todo mundo sabe que se trata de um ótimo negócio o fato de alguém sair candidato a vereador ou a prefeito. Em que pese as reclamações gerais dos postulantes a um cargo eletivo sobre as despesas de campanha, nos finalmente, ganhando ou perdendo a eleição, todos eles ficam no lucro.

O benefício inicial vem já na forma de descanso. Grande parte dos candidatos pertence ao funcionalismo público. Devido a lei eleitoral, essa categoria profissional deve se afastar do cargo para poder participar da campanha. Com um pequeno detalhe: continua a receber o salário do mesmo jeito, como se estivesse trabalhando.

Os demais candidatos, aqueles que atuam na iniciativa privada quer como profissionais autônomos, empregadores ou empregados, na maioria das vezes, são pessoas não muito aplicadas ao trabalho. Quem trabalha de verdade, com afinco e profissionalismo, não dispõe assim de muito tempo para se dedicar despretensiosamente ao futuro crescimento e desenvolvimento da cidade.

Antes de ter postulado o cargo pretendido, o candidato devia pertencer a um partido já há algum tempo, conforme rege a lei eleitoral.

Esse foi um período de reuniões para prévias e escolhas adequadas. Tudo demandando tempo e dinheiro.

Haja verba para bancar o aluguel do imóvel sede do partido. Isso, para não se alongar em questões com gastos rotineiros de uma reunião. No mínimo, esse pessoal tomava pelo menos água. Caso contrário, a garganta não aguentaria o falatório.

Tudo acertado, julho abriu espaço para a propaganda mais explícita. Candidatos a vereador e a prefeito foram para as ruas.

Junto, seguiu o batalhão de cabos eleitorais, via de regra composto de gente pouco afeita à rotina de um trabalho. A intenção dessa turma é que o candidato seja eleito e que depois sobre uma ‘boquinha’ qualquer na esfera pública. As brechas ficam por conta dos cargos em comissão, sem necessidade de concurso.

Em agosto, as despesas aumentaram. Fora os ‘ideológicos’ cabos eleitorais, o pessoal contratado para portar bandeiras nos cruzamentos, distribuir panfletos etc., e tal ganha salário. Sem contar que a entrada no ar da propaganda eleitoral gratuita exigiu um pouco mais de gastos. Pois o conhecido horário político não é tão de graça. Alguém paga. Adivinha quem?

Agora, em pleno setembro primaveril, o corre-corre dos candidatos cresce mais ainda. Paralelamente, as despesas acompanham a corrida. A contabilidade encerrar-se-á no final da primeira semana de outubro. Depois de 7 de outubro, em caso de segundo turno para prefeito, ainda vai ter mais gastos.

Até lá, o dinheiro corre solto. Afinal, o gasto financeiro chega a quantias enormes. Não! Não precisa pensar em fazer doação para campanhas. A menos que você pense em entrar nesse negócio de ocasião. Porque o montante aplicado volta com juros. Verba para isso não falta após a posse. Quando aos perdedores, as coligações partidárias arrumam meios empregatícios pouco ortodoxos.

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br