Agosto teve três vezes mais queimadas em municípios da região de Franca que o total registrado no mês anterior. Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que o número de focos em áreas de vegetação em 17 cidades, entre os dias 1º e 31 de agosto, foi de 312. Em julho, foram contabilizadas 100 queimadas.
Dos municípios analisados, Ituverava é a campeã de queimadas, com 122 focos em agosto. As principais razões para o aumento dos incêndios são o tempo seco e a grande quantidade de canaviais existentes na região.
A medição de queimadas é feita pelo Inpe através de satélites e leva em consideração o fogo encontrado em áreas de vegetação - focos com menos de 30 metros não são detectados. Em Franca, a Polícia Ambiental é a responsável pela fiscalização dos focos de queimadas identificados pelo Instituto.
De acordo com o PM Sargento Silva, a maioria das queimadas é proveniente da agricultura. “A maioria (de focos) é da queima de palha da cana-de-açúcar. Há situações em que está autorizada a queima noturna. Qualquer outro tipo de queimada está proibido durante o dia (leia mais em texto nesta página). Depois da cana-de-açúcar, as maiores incidências são de queimadas de pastagem e de restos de cultura”, explica.
Dentre as ocorrências atendidas, existem também as queimadas criminosas ou premeditadas, que acontecem geralmente nas beiras de estradas e rodovias.
Todos os focos de queimadas registrados pelo Inpe são visitados pelos agentes da Polícia Ambiental. “Quando o Inpe nos envia as coordenadas dos focos, ele especifica o horário em que foi captada a queimada. No caso das usinas, por exemplo, verificamos a autorização de queima e vamos até o local verificar se ela foi feita dentro da quantidade de hectares autorizada”, afirma Silva. Em casos de não-autorização ou de limite de queima ultrapassado, os responsáveis pelos locais são autuados.
Do total de focos contabilizado em agosto, apenas 30% eram autorizados. “Cerca de 70% das queimadas não tinham autorização ou eram premeditadas.” No entanto, o aumento da incidência de fogo na vegetação também é justificado pela época do ano. “É época de colheita. Existem vários focos por isso. Mas esse mês (agosto), com a estiagem, as queimadas tendem a aumentar consideravelmente, pois o fogo se alastra mais facilmente com a vegetação seca”, finaliza o sargento da Polícia Ambiental.