09 de abril de 2026

Grupo Rasgacêro se apresenta na Praça da Matriz hoje em Franca


| Tempo de leitura: 5 min
Ao redor da ‘Kombi Mágica’, os atores entoam canções populares

Treze pessoas em uma Kombi viajando por todo o Brasil de cara pintada e instrumentos musicais em punho. Próxima parada: Franca (SP). Chega hoje à cidade o grupo Rasgacêro, que traz à praça da matriz o espetáculo Mambembesbrasileiros. A trupe estará a postos a partir das 14 horas e vai oferecer, de forma gratuita, oficinas que envolvem trabalho com tecido acrobático e equilíbrio no slackline (esporte de equilíbrio sobre uma fita de nylon, estreita e flexível, praticado geralmente a uma altura de 30cm do chão). Parte do que for produzido se tornará cenário para a peça dos mambembes, que já rodou mais de 20 mil quilômetros em um ano contando a história de um menestrel chinfrim que ousa imitar Dionísio (Deus do vinho) e é condenado a nascer em meio a um dos tantos sertões deste país e a vagar mundo afora. O espetáculo é um musical de rua que celebra as raízes folclóricas brasileiras homenageando os que fazem arte na rua através do teatro, da música e do circo. O roteiro é de Giovanni Dias e coordenado por Ricardo Valias. “Não sou artista, sou ‘artêro’/ Faço com amor e não pelo dinheiro / Uu venho à rua, ponho a minha cara, e o meu sorriso, é a tua risada // Levo nossa arte para qualquer parte/ o que nós queremos é colorir a cidade / Seja no centro ou no bairro, não temos fronteira / pois o que nós queremos é o encontro com a cultura regional brasileira”, disse Ricardo sobre o que significa ser um membro do grupo.

Comércio da Franca - O que quer dizer Rasgacêro?
Ricardo Valias-
Rasgacêro não tem um significado definido. Representa ser guerreiro. Representa a alma do brasileiro que tem que lutar dia-a-dia pelo que se acredita. É ‘assobiar, chupar cana e um pouco mais’ ao mesmo tempo, como muita gente faz pra se virar por aqui...Em especial quem vive, ou tenta viver da arte.

CF- Como é ‘rasgar’ o Brasil levando arte de forma democrática?
Ricardo -
Apesar de muito cansativo e corrido...é maravilhoso!
Estar na estrada é estar compartilhando arte. É uma energia única, é nosso combustível! Esse foi nosso projeto e ter a oportunidade de realizá-lo agora é muito massa! Nenhum cachê paga a alegria de ver pessoas sorrindo e saindo do espetáculo com elementos de arte absorvidos. Elas vão embora, mas levam ali, uma bagagem que para a vida toda...é magico! É a maior recompensa que podemos ter.

CF- Tem ideia de quantos quilômetros já rodaram com este espetáculo?
Ricardo -
Com Mambembesbrasileiros já rodamos mais de 20 mil km, percorrendo quatro estados, mais de 50 municípios e com um público estimado de aproximadamente 35 mil pessoas. E o mais legal de tudo, em 1 ano apenas. Estamos iniciando esta temporada agora. Então tem muito mais por vir....Eba! (risos)

CF- Quanto tempo vocês costumam ficar em cada cidade?
Ricardo -
Ficamos um dia ou dois, no máximo, em cada cidade. É sempre muito corrido. Do hotel para a praça, da praça para o hotel, alimentação e estrada de novo. Uma pena, pois gostaríamos de conhecer lugares e pessoas por onde passamos, mas na maioria das vezes, pouco se vê da cidade

CF- Como funciona as oficinas que vocês ministram?
Ricardo -
São duas oficinas e elas funcionam de forma democrática e descontraída. São práticas de algumas artes que estão dentro do nosso trabalho como, tecido acrobático e equilíbrio no slackline. É uma troca de experiências na verdade. A gente leva um pouco do que fazemos e conhece muitas pessoas que gostam e sabem das mesmas coisas. Daí é legal, todo mundo sai com um pouco mais de conteúdo.

CF- Como costumam se divertir em todas essas cidades?
Ricardo -
Como te disse acima, é muito corrido. Quase não temos tempo assim. Mas quando temos, conhecemos a cidade dando um ‘rolê’, jogamos cartas no hotel, e principalmente dormimos, pois é muito cansativo.

CF - Pode me contar uma história inusitada pela qual o grupo passou nessas andanças?
Ricardo -
Ah...tem várias, né? Cada saída é um monte de ‘causos’ diferentes. Mas tem uma, em especial, que marcou muito. Estávamos indo para o Espírito Santo, para nos apresentar numa vila de pescadores chamada Itaúnas, quando paramos para abastecer no meio do caminho, em Belo Horizonte. A Kombi pegou fogo! Tinha uma mangueira rompida e não vimos a gasolina vazar.
Foi um sufoco, um corre-corre dentro do posto e somente após quatro extintores descarregados, conseguimos controlar tudo. Mas no final, só um susto mesmo, pois no dia seguinte estávamos já de volta a estrada.
Mas daí ficou a lição: jamais sair sem estarmos com tudo revisado.

CF - Depois do cansaço das viagens, do que abrem mão para ter uma vida nômade, quando sentem que todo o esforço vale a pena?
Ricardo -
Abrimos mão de ter uma vida regrada e de cotidiano fixo.
Nossas regras são um pouco mais flexíveis ou ajustáveis, diríamos assim.
Sempre vale a pena, pois somos movidos pelos desafios. Mas isso não tira o debate interno que naturalmente existe em qualquer profissão, de que: “será que estamos no caminho certo?” Isso é constante.

CF- E a família, quando rola um ‘pit stop’ para rever todo mundo?
Ricardo -
Tirando duas pessoas do grupo que são naturais de Poços de Caldas (cidade sede do Rasgacêro) e tem um contato mais intenso com a família, o restante do pessoal aproveita as datas comemorativas, como Natal e Ano Novo para ficar perto e absorver esse carinho gostoso que faz bem. Mas a saudade se faz presente em todos os momentos. O importante é que todos vibram juntos e torcem muito para que o trabalho aconteça. A energia deles nos acompanha por toda a caminhada.

SERVIÇO
Teatro: Mambembesbrasileiros
Local: Praça Nossa Senhora da Conceição
(da Matriz)
Horário: Entre as 14 e 16 horas
Apoio: Algar Telecon, Petrobras e Lei
Estadual de Incentivo à Cultura