11 de julho de 2026

Lavradores festejam 70 anos de casados com a presença da família


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Maria Taveira e Julio Rejane na festa realizada antes da data para festejar os 70 anos de casados com a presença de toda a família

Sábado, 12 de setembro de 1942. Na igreja de Ibiraci/MG, a jovem Maria Taveira, com apenas 17 anos, subia ao altar para ganhar mais um sobrenome e levar consigo um amor para a vida toda. Naquele dia, ela passava a ser Maria Taveira Rejane, mulher de Júlio Rejane, o rapaz com 20 anos de idade recém-completos, vizinho de fazenda, aquele que ofereceu a ela uma garrafa de vinho arrematada em leilão cinco anos antes - santa garrafa que abriu caminho para o namoro dos dois. Neste mês, 70 anos depois, o casal que mora em Franca desde os anos 60 comemora Bodas de Vinho. A festa foi realizada antecipadamente no último sábado, data em que conseguiram reunir os convidados especiais: 7 filhos, 18 netos e 9 bisnetos.

Quem relembra a história de vida é Maria. Aos 88 anos, a audição está um pouco comprometida, mas a memória é invejável. Já o marido, com 91 anos e audição bem prejudicada, pouco fala. Maria conta que conheceu o marido aos 13 anos, época em que morava num sítio vizinho à fazenda de Júlio em Ibiraci. Ela era a caçula de cinco irmãos, sendo três mulheres e dois homens. A irmã mais velha dela e um dos irmãos já haviam se casado com um casal de irmãos de Júlio.

A oportunidade que uniu o casal aconteceu durante um terço. “Um belo dia, meu primo me levou a um terço na fazenda do vizinho. Era comum fazer leilões de prendas nos terços, e meu primo ofereceu uma garrafa de vinho para leiloar. O Júlio arrematou a garrafa e a deu para mim. Eu fiquei numa emoção que não cabia em mim. Mas aí outras meninas que gostavam do Júlio ficaram bravas e tentaram me bater. Minha mãe ficou brava com aquilo, e naquele dia permitiu que o Júlio me acompanhasse no caminho de volta para casa. Aí começamos a namorar.”

Com dez meses de casamento nasceu a primeira filha, Regina. Depois vieram Divino, Expedito, Joana D’Arc (morreu quando nasceu), Agostinho, Aparecida, Rita de Cássia e Júlio César. Júlio sempre trabalhou na colheita de café, e ensinou os quatro filhos homens a lidarem com a lavoura. Maria, além de dona-de-casa, sempre ajudava na colheita. “Era difícil. Várias vezes faltou até comida em casa.”

No início dos anos 1960, a família mudou-se para a zona rural de Franca. “Fizemos até empréstimo para conseguir mudar. No primeiro ano em Franca passamos muita dificuldade. Teve uma seca muito forte e a lavoura secou. O Júlio falava: ‘O que viemos fazer aqui?’. Mas eu sempre rezava muito e pedia a Deus para vir chuva. Até que um final de semana choveu e o café amanheceu branquinho, cheio de flores.” O dinheiro da primeira safra de café saldou as dívidas da família e ainda rendeu a primeira casa própria de Júlio e Maria, próxima à Capelinha.

Depois de um ano no sítio São Francisco, o casal partiu para a fazenda Bocaina, também em Franca. No início dos anos 1970, compraram mais uma casa, na Vila Nossa Senhora das Graças, local em que residem até hoje. A era da cultura cafeeira na região chegava ao fim. Júlio então começou a trabalhar na construção civil, como pedreiro.

Os filhos casaram-se. Depois vieram os netos e bisnetos. Depois de aposentado, o casal ainda conseguiu comprar mais três casas. Aos domingos, a família se reúne toda na casa de Maria.

E como é o casamento, 70 anos depois? “Não acaba esse amor. Eu cuido dele do mesmo jeitinho de quando a gente se casou. Agradeço a Deus pela vida que a gente tem. Casamos por amor, eu sempre prezei por isso. Nós passamos por dificuldades, mas hoje somos muito felizes”, conclui Maria.