Outro dia, em conversa com amigos sobre a saúde pública, fomos questionados a respeito da falta de interesse da classe médica em concursos públicos
Já de muito tempo comentamos e compactuamos com a ideia que defende a obrigatoriedade de prestação de serviços à comunidade por todos os formandos em Universidades Públicas. Exatamente aí que se encontra a solução imediata para que os municípios consigam preencher seus quadros profissionais em diversas áreas onde há uma carência frente à demanda necessária para o atendimento a população. Todos nós sabemos que as universidades e outros institutos são custeados pela receita de tributos, todas oriundas da população.
Assim, a prestação de serviços à comunidade seria uma forma de retribuição que beneficiaria a todos. O formando teria a oportunidade de iniciar suas atividades profissionais, fazendo um espécie de estágio, aplicando suas competências práticas adquiridas durante sua vida acadêmica, aumentando sua experiência e se tornando conhecido. Por outro lado a sociedade seria beneficiada pela atuação profissional em áreas carentes de recursos humanos qualificados.
Na realidade muitos países já utilizam tal sistema, visto que todos os cidadãos pagam pelo ensino ofertado a poucos pelo Estado e seria digno, ao se formarem, que retribuíssem por algumas horas diárias, durante certo período – quatro anos, por exemplo –, o investimento que recebeu através dos cofres públicos (dinheiro dos cidadãos), prestando pequenos serviços à comunidade. Com certeza seria bom para dar exemplos de cidadania e ninguém irá “morrer” ou passar fome se tiver que dedicar algum tempo em auxílio aos problemas sociais existentes na comunidade em que vive. Assim por questão de justiça entendemos ser necessária uma contrapartida através de serviços.
Alguns se colocam em sentido contrário a ideia, argumentando que se trata de limitação à gratuidade da educação e que não sentem obrigados a retribuir, pois os seus gastos já foram devidamente pagos através dos impostos. Ora, todos nós sabemos que há uma limitação na oferta de vagas nas Universidades Públicas, mas como aceitar tal argumentação frente ao fato real e concreto de que os estudantes das Universidades Privadas pagam seus cursos e ainda sustentam através dos impostos a faculdade nas instituições públicas?
A política do Estado, quando oferta um ensino superior de qualidade, é na suposição de que esses futuros profissionais virão a ser úteis para a sociedade. Essa é a principal responsabilidade do acadêmico, ou seja, há uma expectativa de retribuição do investimento que foi realizado em sua formação e, a sociedade nunca imagina que a Universidade Pública se torne um investimento sem retorno.
A propósito porque o Estado, já de muitas décadas, determina, como por exemplo, a pilotos militares que após sua cara formação devem permanecer por no mínimo sete anos em atividade militar para amortização dos custos despendidos em sua formação? Porque não exigir a mesma contrapartida dos civis? Aproveitando, o Estado também deveria exigir contraprestação não só dos formandos em Universidades Públicas, mas de todos aqueles que de alguma forma recebem auxílio e bolsas do Estado para suas formações, principalmente agora com a Lei de cotas para ingresso.
CAMPANHA ELEITORAL
Estamos a pouco mais de um mês das eleições e parece que as campanhas eleitorais nem começaram, tamanho é o desinteresse dos cidadãos. Há bem pouco tempo se comentava que a campanha efetivamente começaria com o horário eleitoral gratuito. Pois bem, a propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na TV começou, e não consegue empolgar ninguém tamanho é o descrédito político.
Todos nós sempre esperamos que, nas campanhas eleitorais, candidatos ao Poder Executivo ou Legislativo, objetivamente apresentassem políticas públicas viáveis, mas, até o momento ninguém demonstrou claramente suas metas e objetivos e como alcançá-los efetivamente, para que não fiquem somente nas promessas. Na verdade a atual campanha repete as “promessas” eleitorais de eleições passadas, pois os candidatos contam com o esquecimento do eleitorado para repeti-las na campanha seguinte.
A política brasileira tornou-se um sistema de hipocrisia, fingimento um teatro, dirigido e manipulado pelo chamado “marketing político”. Os eleitores, em razão das “armadilhas” produzidas pelos profissionais de marketing, acabam votando em candidatos que representam o contrário de suas aspirações. A verdade é que nenhuma democracia se constrói contra o eleitor, como a nossa tem insistido em fazer. Ao contrário, deveria aproximar-se dele, apelando cada vez mais à sua participação. Aqui muitos políticos, após as eleições, fogem do eleitor como o “diabo da cruz”. Uma vez garantido o voto, não hesita em desfazer os sonhos de seus “ingênuos eleitores”.
Mais uma vez as campanhas eleitorais estão “sem tempero”, pois nem mesmo “ilusões” conseguem transmitir ao eleitorado. Todo o jogo está viciado, e as reformas não devem começar somente pelo baralho, mas sim pelas regras!
PROFISSÃO ‘LADRÃO’
Assistimos a um vídeo na internet, que retrata bem o momento social que estamos vivendo. O vídeo mostrava uma equipe de reportagem numa delegacia, onde o escrevente colhia a qualificação do autuado, ao perguntar a profissão o mesmo respondeu com muita satisfação que era ladrão, o que surpreendeu a todos. Já outro dia, no Jornal da Noite, da rádio Difusora, ouvimos um jovem de 16 anos afirmar que não iria parar de roubar (ocorrência já comentada por Luiz Neto). Analisando as respostas, ficamos estarrecidos, pois a que ponto chegamos, quando um afirma que sua profissão é ladrão e o menor informa que escolheu como profissão ser ladrão. Enfim, as charges diárias do jornal Comércio da Franca, apesar das brincadeiras, expressam nossa realidade social.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br