A personagem Melissa, vivida magistralmente pela atriz Cássia Kiss Magro na novela Amor, Aterno Amor, apresenta, em algumas cenas, sintomas de perturbação espiritual, evidentemente tudo adaptado às necessidades do enredo. Mas, efetivamente, os espíritos podem interferir nas nossas vidas, desde que o permitamos segundo os nossos pensamentos, sentimentos e ações.
Para quem não sabe, obsessão é a influência de uma mente sobre outra, o que pode ocorrer de desencarnado para encarnado e vice-versa, bem como de encarnado para encarnado e de desencarnado para desencarnado, sempre em decorrência do fato de ambas as partes estarem sintonizadas entre si. Eis aí a tão propalada sintonia vibratória entre mentes.
Por isso, n’O Livro dos Espíritos, na questão número 459, indagados se os espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos, os instrutores espirituais respondem: “... Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”
Simplifiquemos para dizer que os espíritos são os nossos parceiros. São as “nuvens de testemunhas” a que se referiu Paulo, o Apóstolo. Quaisquer que sejam os nossos pensamentos, eis que estamos em parceria com os espíritos cujo nível de moralidade lhes corresponda.
Daí a conveniência de nos policiarmos a conduta. Esclarecermo-nos, ser caridosos, pensar no bem, exercitar a fé inabalável porque raciocinada são a receita infalível para que se nos garanta a parceria dos bons espíritos.
Não nos iludamos, porque o contrário é verdadeiro! Fácil, porquanto, entender que desobsediar-se, isto é, livrar-se da perturbação espiritual, só depende de superar as próprias fraquezas, elevando-se a faixa vibratória.
Com efeito, o meio mais eficaz de “fecharmos o corpo” – como dizem por aí –, é mantermos a conduta reta, quer no pensamento, quer nas ações.
Ao prescrever semelhante qualificação moral, o Espiritismo, todavia, não está exigindo que nos santifiquemos, condição que se acha, ainda, muito acima da nossa realidade moral.
O que nos propõe a Doutrina Espírita é que procuremos reformar-nos intimamente, a fim de, o quanto pudermos, estabelecer sintonia com os planos mais elevados da vida espiritual.
Todos desejamos ter liberdade total, e Deus no-la concedeu, mas o uso que fazemos do livre-arbítrio requer a correspondente responsabilidade, daí ser ele o grande responsável pelo que nos advém das nossas escolhas felizes ou infelizes.
Muitas vezes responsabilizamos os outros pelos nossos fracassos, entretanto, após criteriosa auto-análise, veremos que tudo reside em nós.
Por esta razão afirmava o iluminado Ghandi: “nenhum mal nos advém que não seja por nossa própria conta”.
O cultivo dos bons pensamentos, das boas palavras, da oração, boa leitura, estudo edificante, aliado à prática da caridade, das boas companhias, dar-nos-á, com certeza, as condições indispensáveis a que rompamos, de vez, as más influências espirituais.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca