09 de julho de 2026

Quem sabe a luz se faça


| Tempo de leitura: 5 min

Lembro-me do giz que o professor Chafi Felipe arremessava com certeira pontaria nos que insistiam em dormir durante suas aulas de desenho geométrico

Também, dos puxões de orelha de Noêmia Bordignon, que não esqueci porque foram merecidos; dos ‘esporros’ homéricos do Angelim Felício Neto quando ensinava os mistérios da vida biológica e não admitia nem moscas voando em sua sala de aula; de Maria Geralda Machado Presotto, belíssima mulher, duríssima e competente professora de Francês que, infelizmente, morreu há algumas semanas; do mau humor que a ‘primeira dama do civismo brasileiro’, Lúcia Gissi Ceraso, dedicava a quem não tinha educação e respeito por pessoas, símbolos nacionais e instituições democráticas.

Não guardo mágoa deles e de nenhum dos professores sérios - todos eles - e, dos que tinham cara de poucos amigos com os quais tive a honra de conviver no meu caminho escolar. Divergi em diversas oportunidades. Contestei, debati e até – esse meu gênio ruim, nasci com ele – pratiquei duras batalhas. Tive medo de ‘vinganças’ expressas em más notas que não vieram, mérito deles em ensinar, mérito meu pelo esforço de não dar a eles, oportunidades. Foram todos lhanos. Em caso de mérito, notas adequadas.

Gente de meu tempo tinha vergonha na cara. Se levava gizadas na escola ou corretivos em casa, aprendia, não ficava emburrado, destilando ódio pelos cantos, urdindo planos para tornar um inferno a vida do outro. Reconhecíamos nossas falhas. Cobranças merecidas nos ensinaram responsabilidade, fizeram crescer. E a gente aprendia que o mundo não nos facilitaria nada.

Na escola, cobrança dura do mestre era motivo para avermelhar de vergonha perante o olhar duro de companheiros que queriam aula. Ao contrário do que se diz hoje, a educação de antes não era melhor que a de hoje. Não era! Os estudantes é que eram melhores, mais comprometidos, educados por pais zelosos e amorosos com suas crias antes que fossem à escola. E professores tinham autorização para exercitarem a extensão do pátrio poder. Quantos de nós fizeram dos pais e de professores, ídolos, gente que a gente queria ser igual.

Como têm dito vários de meus leitores em mensagens-comentários a estes meus despretenciosos textos dos sábados, ‘ninguém se machucou ou alimentou planos de vingança por haver sido repreendido’. Verdade! A maioria de nós nós se tornou gente de bem, não violenta, amiga, respeitosa e parceira, a atestar que punição responsável, corajosa, na medida, não doi e nem forma gente desajustada. O que se prega hoje é balela.

EVOLUÍMOS...
Nós evoluímos(?). Hoje, corrigir, punir física ou psicologicamente um jovem pilhado em erro; ou, na escola, não pactuar com promoção de quem não sabe nada à série seguinte, é contrariar normas modernas de criação e de educação . Se filho ou aluno reclama que foi punido, pais e professores se arriscam a sanções. O sujeito que ingressa no primeiro ano do ensino fundamental pode ter certeza que chegará à universidade mesmo sem saber nada, especialmente se o indivíduo tiver posses, ou se for filho de pais ‘determinados’ - na mais rasa acepção da palavra.
A cadeira escolar que ocupar no primeiro ano terá que estar livre para o jovenzinho que ingressa no ano seguinte, e assim é que é agora, ano a ano. Festeja-se a progressão automática que não exige cultura e constróem-se presídios! O Estado cumpre desta forma e em triste viés, o ‘compromisso constitucional’ de garantir escola a todos e ganhar projeção pública ao inaugurar mais e mais ‘casas de recuperação social para menores’. É como na saúde pública: houvesse prevenção, a doença não se instalaria, mas...

VOTAR, ESSA CHATICE!
Sabemos e aceitamos. Votar é só um compromisso chato para a maioria. Em consequência da ruindade daqueles que acabamos por escolher, as leis que criam têm exatamente suas caras e seus jeitos desajustados do que é real. Pior ainda, não temos o hábito de fiscalizar o que nossos representantes estão fazendo. Fizéssemos isso e juntássemos forças, poderíamos destituir incontáveis, mas, isso dá muito trabalho!
A Justiça cumpre o papel de punho de ferro emburrecido e calado quando manda cumprir o status quo, mas não contesta ou contrapõe-se a leis caolhas que legisladores descompromissados e distantes da realidade lhes empurram pela goela abaixo.
Órgãos de segurança se tornam, aceleradamente, motivo da pilhéria daqueles aos quais a legislação garante direitos e não impõe deveres. Afinal, prende-se e recoloca-se livre está mesmo que vítima vença a burocracia exigida pelos boletins de ocorrência. Penas cumpridas na íntegra, por inteiro? Deixe de sonhar. Há incontáveis falhas e brechas nas leis. Pergunte a advogados.

LUZ CONTRA A ESCURIDÃO
O resultado é esse mar de merda onde estamos afundados. Aqueles aos quais as leis protegem e ninguém contesta, estão soltos nas ruas, nas escolas, em becos imundos e em baladas ricas, corroendo, corrompendo. Gente de bem está presa em casa, escondida, amedrontada.
Estamos perdendo a guerra da civilidade porque não temos capacidade de agir organizadamente. Se você acha que é isso o que ocorre, manifeste-se. Se o número de vozes se tornar significativo, será possível promover um grande debate e verificar até onde a sociedade organizada pode ir. Não dá mais para espernear só no anonimato. Se não tiver luz, quem gosta de escuridão continuará dando as cartas.

E, POR FALAR NISSO
Como andam as investigações sobre o assassinato de dona Carolina Carrijo? O medo continua pedindo passagem...

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

 

 

Luiz Neto, bom dia.

É com grande satisfação que li seu artigo de hoje, no jornal Comercio da Franca, posso algumas vezes divergir de suas idéias, mas hoje voce se superou, abordou um tema de forma clara e certa. Seu artigo deveria ser lido por todos os pais e mães, autoridades, professores, por todos aqueles que de uma forma ou de outra tem responsabilidades na formação dos jovens.

PARABÉNS.

Clésio A. Dourado

Olá Luiz Neto. Tenho tido a oportunidade de encontrar, atavés das páginas deste matutino, opinões de pessoas que ainda consideram que EDUCAÇÃO nasce dentro de um lar. Te pergunto, você acredita que pessoas que compartilham desse mesmo ponto de vista, têem condições de mobilizar o restante, e mostrar o quão a vida é melhor com educação e respeito aos bons costumes?

José André de Freitas Nascimento