O posto de mulher de candidato, que há algum tempo se limitava a uma mera representação social, já não é mais o mesmo. Hoje, este papel evoluiu para uma posição mais substancial, a ponto de influenciar a campanha de seus companheiros e, até mesmo, exercer certo grau de poder político. Todas têm conhecimento desta nova realidade e vão à luta em busca de votos.
Casada com o ex-vereador e candidato a prefeito Gilson Pelizaro (PT), a professora Sueli Cunha Pelizaro afirma que a contribuição dela como mulher do petista ultrapassa a barreira do corpo-a-corpo. “Participo de praticamente todas as atividades de campanha. Converso muito com o Gilson, trocamos impressões sobre a participação dele em debates, entrevistas, programas de televisão e rádio.”
Para a advogada Cynthia Dias Milhim, mulher de Alexandre Ferreira, candidato do PSDB, o fato de a população exigir mais a participação da mulher durante a eleição também contribuiu para o novo cenário. “A responsabilidade de comandar o Fundo Social de uma cidade é grande. A população sabe dos seus direitos e cobra resultados. Isso representa mais trabalho e comprometimento com as campanhas do que qualquer outra coisa.”
O glamour de ser mulher de candidato tão cultivado no passado é algo que, na opinião das entrevistadas, desapareceu. “Não vejo como posição de glamour, mas como uma atividade responsável que me disponho a enfrentar junto com ele”, destacou a médica Eugênia Amorim Ubiali, mulher de Marco Ubiali (PSB). “Este glamour acabou porque as mulheres, hoje, são empreendedoras e independentes”, disse a empresária Rosana Jacometi Pimentel, casada com Cassiano Pimentel (PV).
Os fatores de engajamento mais ativo delas nas eleições são variados, na opinião da decoradora Maria Célia Chiarelo, mulher de Hamilton Chiarelo (PSol). “Um deles é comungar dos mesmos ideais. Outro é estar sempre perto do seu companheiro, realizando os mesmos projetos.”
OUTRO LADO
Se as mulheres estão se engajando cada vez mais nas campanhas dos maridos, o inverso também ocorre. Que o diga o investigador de polícia Paulo Ambrósio, marido da candidata Graciela Ambrósio (PP). “Participo ativamente da campanha, apoio e procuro colaborar sempre.” Perguntado se tem influência para exercer o poder político, ele foi objetivo. “Procuro participar da melhor maneira possível, porém quem nasceu com o dom da política foi a Graciela.”
Marcelo Bomba (PTC) é o único candidato solteiro.
O QUE PENSAM - Veja a opinião das mulheres dos candidatos de Franca sobre o poder político delas
A senhora acredita que tem influência para exercer o poder político?
Cynthia Dias Milhim, 34, advogada, mulher de Alexandre Ferreira
“Cada um tem a sua importância dentro desse contexto, mas é difícil dizer sobre si mesmo. Tenho minhas convicções, sou crítica e participativa”.
Eugênia Amorim Ubiali, 53, médica, mulher de Ubiali
“Sim. Eu me considero madura, bem sucedida e, portanto, com disposição para colaborar na política e exercer o poder público.”
Maria Célia Chiarelo, 49, decoradora, mulher de Chiarelo
“Sim. A mulher tem um papel fundamental. Isto começa com os filhos, ensinando a eles a exercer seus direitos de cidadão.”
Rosana Jacometi Pimentel, 47, empresária, mulher de Cassiano
“Participar da política é de grande responsabilidade. Como esta não é minha área, deixo a política com o Cassiano, sem dar palpites.”
Sueli Cunha, 43, professora, mulher de Gilson Pelizaro
“Quando troco opiniões com o Gilson, não é para influenciar, mas para ajudar. Agora, em relação ao poder político, não é meu desejo.”