Vestindo uma camiseta com a frase “A educação é o nosso passaporte para o futuro, pois o amanhã pertence às pessoas que se preparam hoje”, de Malcolm X, um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos, José Maria de Oliveira Júnior, 43, relembrou sua trajetória até se tornar professor da rede pública estadual.
Ele já trabalhou como frentista e durante mais de dez anos foi vigilante e segurança. Em 2006 resolveu voltar a estudar. Fez a prova do Enem e com a nota que obteve conseguiu bolsa integral para se formar no curso de história na Unifran (Universidade de Franca). Aos 41, obteve o diploma do ensino superior, um orgulho para ele. “Quando falei que voltaria a estudar, ninguém acreditou que fosse terminar. Acho que subi um degrau porque consegui fazer o curso superior, coisa que na minha faixa etária muita gente não se preocupa”, disse ele, que é pai de quatro filhos.
Outro orgulho dele foi retornar à Escola Estadual “David Carneiro Ewbank” (Cede), onde estudou durante anos, como professor. Ele está no início da carreira. Lecionou nos últimos anos e foi no início de 2012 que foi contratado pela rede estadual.
José Maria atribui a violência nas escolas a três principais fatores. “O professor está amarrado pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que te engessa, porque não se pode fazer nada e, com isso, os alunos podem tudo. Muitos pais e mães não impõem limites, não conseguem controlar os filhos e por isso essa rebeldia deles, além do consumo de drogas.”