Com o cotovelo ainda esfolado e hematomas roxos no braço direito, o professor José Maria de Oliveira Júnior, 43, retornou às salas de aula ontem. José Maria ficou afastado do trabalho por licença-saúde durante 12 dias após ser agredido na porta da Escola Estadual “Laura de Mello Franco”, no Jardim Redentor, no dia 14 de agosto. O professor foi atingido por socos e chutes dados por três adolescentes, sendo um deles aluno da escola. O trio o acusa de ter empurrado alunos na saída do turno da tarde. O professor disse que o regresso à unidade onde ocorreu a agressão foi tranquilo e que teve uma boa recepção pela diretoria e estudantes, mas teme sofrer novas agressões.
José Maria afirma que os agressores o ameaçaram de morte. “Eles disseram que iam meter bala (sic).” O receio dele é de que a ameaça se concretize. “Com certeza tenho medo. Durante a licença não tive sossego. Ando muito ansioso. Tem vezes que fico olhando por cima do meu ombro para ver se não vem mais ninguém por trás. Estou saindo pouco, evito ficar fora de casa, principalmente à noite.”
O professor passou por consulta com psicólogo na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Leporace na semana passada e disse que foi encaminhado para o psiquiatra. “Não sei o que acontecerá daqui para frente, o que o psiquiatra irá me dizer.” Ele também se queixa de dores na cabeça. “Depois dos chutes que me deram, comecei a ter dores fortes na cabeça.” O exame de raio-x, porém, não apontou lesões.
A vítima leciona em duas escolas da rede estadual em Franca. Ensina história para cerca de 400 alunos numa escola da região norte da cidade - ele pediu para não revelar o nome da instituição - e na “Laura de Mello Franco”. Nesta unidade, é funcionário novo. Começou a dar aulas no dia 2 de agosto deste ano, como professor substituto. José Maria afirmou ao Comércio que deseja deixar a escola. “Amo dar aulas, me preparei para isso, mas expliquei para a diretora que o ambiente está muito hostil para mim. Não vou deixar a qualidade do meu trabalho cair, mas prefiro parar de dar aulas na ‘Laura de Mello’. O problema é lá”, disse ele.
O professor pretende discutir o assunto com a dirigente regional de ensino, Ivani Marchesi, na próxima semana. Ivani disse à reportagem que não se pronunciará sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação não comentou se há possibilidade do professor ser substituído. Informou que está acompanhando o caso e que a direção da escola solicitou à Polícia Militar que a Ronda Escolar seja intensificada no bairro.
A AGRESSÃO
A confusão envolvendo o professor José Maria ocorreu no dia 14 de agosto por volta das 18 horas. Ele havia terminado as aulas do dia e decidiu passar pelo portão de saída dos alunos para encurtar o trajeto até o ponto de ônibus, de onde seguiria para a outra escola onde leciona. Ele teria se esbarrado em um dos alunos e acabou agredido. “Não me lembro de esbarrão porque na saída é um tumulto, há muita gente. Se a pessoa tivesse reclamado, de pronto, teria pedido desculpas.”
Ele disse que enquanto saía da unidade, um jovem parou do seu lado e perguntou se professor pode bater em aluno. José Maria teria respondido que professor não bate em aluno. Depois disso, aconteceram as agressões. “Alguém veio pelas costas e pulou com os dois pés em mim, na altura da cintura e caí no chão. Começaram a me chutar nos braços e na cabeça. Fui escoltado pela diretora e uma inspetora e fiquei dentro da escola até a viatura da polícia chegar.” O caso foi registrado no Plantão Policial como lesão corporal e ameaça. “Não sou de desejar mal aos outros, mas esperava punição dos três.”
Um dos três jovens foi identificado. É estudante do ensino médio da escola e foi suspenso por dez dias úteis das aulas. Deve retornar nesta semana. Segundo a assessoria da Secretaria de Educação, os pais do adolescente foram chamados à escola e o caso foi encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude.