No mundo em que vivemos existem muitas opções de vida e de fé. Cada escolha que fazemos tem um significado na vida que possuímos. É preciso “saber escolher”! Quais são, portanto, os ensinamentos da Palavra de Deus para iluminar nossa vida? Vejamos:
PRIMEIRA LEITURA — JOSUÉ 24
O capítulo narra episódio definitivo da história religiosa de Israel: a assembléia de Siquém. Estamos no período posterior à entrada na terra prometida. Moisés morreu e o governo do povo passou para as mãos de outro líder experiente: Josué. Depois de ter conquistado todo o país, ele reúne todas as tribos em Siquém, para saber exatamente a que deus querem servir. Exige resposta clara, livre, definitiva. Ao entrar na terra prometida os israelitas conheceram povos que adoravam seus próprios deuses, os Baal, tidos como os distribuidores das chuvas benfazejas e responsáveis pelas abundantes colheitas e pela fecundidade dos homens e dos animais.
Josué exige que o povo escolha: “Se vos desagrada servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem serviram os vossos pais além do rio, se aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porque, quanto a mim, eu e minha casa serviremos ao Senhor”.O povo responde sem hesitação: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a outros deuses”, queremos continuar com Javé que nos libertou e protegeu durante a travessia no deserto; temos certeza de que não há Deus melhor do que ele. Nós também, ao sairmos das águas do batismo (como os israelitas depois de ter atravessado o Mar Vermelho), professamos solenemente a nossa fé. Esta escolha, porém, não foi feita uma vez por todas. Deve ser atualizada permanentemente.
SEGUNDA LEITURA — EFÉSIOS 5
A última parte da Carta aos Efésios é dedicada a problemas de família. Como surgem as divergências, as discórdias, as brigas? Não começam porque cada qual quer mandar nos outros: o marido na mulher, os pais nos filhos e vice-versa? O texto trata das relações marido-mulher e começa estabelecendo princípio fundamental que deve presidir as atitudes de uma família cristã: “Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo”.
Nenhum domínio sobre os outros, portanto, mas submissão e disponibilidade para servir a todos. O exemplo proposto é o de Cristo, que veio não para ser servido, mas para servir. Após ter lembrado essa norma, Paulo faz algumas aplicações práticas para a vida da família. Ensina, sobretudo, às mulheres: “Sede submissas aos vossos maridos, como ao Senhor”; continua depois dando os motivos desta norma. As mulheres não gostam nem um pouco dessa recomendação! Paulo só aplica a elas o princípio fundamental da vida cristã: se cada um deve considerar-se servo do outro, qual é o motivo para estranhar se as mulheres são aconselhadas a serem servas dos maridos, (e dos filhos)? Nos versículos seguintes começam as recomendações para os maridos: “Maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”.
É verdade que Paulo não usa para os maridos o mesmo verbo “sede submissos”, mas usa outro que quer dizer exatamente a mesma coisa. Ensina que eles “devem amar”, e nós bem o sabemos não se pode amar de fato se não se está a serviço do outro, se não se considera o outro como superior a si mesmo. As mulheres deveriam sentir-se felizes com aquilo que São Paulo ensina.
EVANGELHO — JO 6
O Evangelho, conclusão do capítulo 6 de João, mostra como a encarnação e a eucaristia andam de mãos dadas, mexem com as pessoas e as levam a um posicionamento: aceitam Jesus e se abraçam com Ele, ou se chocam e escandalizam com Ele e se afastam do seu projeto de vida e liberdade. Em Jesus, Deus oferece à humanidade um pão que sustenta para sempre. Esse pão é a pessoa de Jesus, maior presente que o Pai fez ao mundo. Quem recebe o pão e o assimila (Eucaristia), descobre que Deus lhe confia uma tarefa, que é a adesão a Jesus, tornando-se, também, pão partilhado para a vida de todos (encarnação). Não há meio-termo: quem recebe Jesus como pão não pode eximir-se da responsabilidade de ser, como Ele, pão para a vida dos outros. A Eucaristia e a encarnação põem as pessoas diante de uma decisão. E aqui surgem muitas crises e abandonos.
A verdadeira religião é assumir a prática e a doação de Jesus em favor dos menos favorecidos. E Jesus mostra que a vida é para ser partilhada, e a morte pode se tornar a maior expressão de amor. Ele não dispensa ninguém de dar a vida até a morte, se for preciso. Judas, aquele que entregou Jesus, não entendeu a vida como oferta para os outros, mas a viu como bem a ser conservado egoisticamente. Em vez de doar a sua vida, entregou Jesus á morte. Ou seja, faz a opção pela morte.
Confessar que Jesus é o “santo de Deus” e reconhecer que não há outro caminho significa aderir a Ele, continuando e realizando o que Ele fez como peregrino e missionário do Pai.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br