Foi bom ver os estudantes protestando novamente. Mas não foi tão bom ver a forma como se pronunciaram. Também foi bom ver a Guarda Civil atuando. Ao proteger o patrimônio público, agiu de forma correta, mas talvez tenha exagerado um pouco na intensidade da ação. No final das contas, tanto o protesto como a ação policial estiveram cheios de erros.
Conforme reportagem publicada por este Comércio no sábado, 18/08, cerca de 40 estudantes estiveram em frente à Prefeitura para pressionar por mudanças no transporte público. Como já havia guardas em número razoável bloqueando os portões de acesso ao paço municipal, os jovens tentaram abrir caminho à força, algo nada recomendável em uma manifestação que se propunha pacífica.
A Guarda Civil, no entanto, também reagiu com excesso. Talvez assustada com atitude dos estudantes, utilizou suas armas de choque e o resultado foi uma grande confusão, com pessoas agredidas, advogado e boletim de ocorrência.
No final das contas, esse episódio deveria trazer uma série de reflexões para os protagonistas. Os estudantes deveriam entender que na democracia os protestos são muito bem vindos, além de muitas vezes necessários. A violência, no entanto, não deveria fazer parte do script. Ao tentar forçar a entrada na Prefeitura, partindo para cima dos guardas, obviamente eles se transformaram em agressores, o que ensejou uma reação por parte dos guardas.
Entretanto, os guardas também não podem agir como se estivessem se defendendo de marginais perigosos. Ao perceber que o clima estava ficando tenso deveriam ter chamado reforço para conter os estudantes sem que fosse necessário o uso dessas armas de choque, que apesar de não ferirem severamente, acabam provocando dor e muita raiva naqueles que são alvejados por elas.
Também a Prefeitura deveria compreender a importância de se antecipar aos fatos para não deixá-los desandar, como de fato aconteceu. Se o prefeito, chefe de gabinete ou algum secretário se dispusesse a receber as lideranças do movimento talvez nada de mais grave tivesse acontecido, como ocorreu no longínquo ano de 1956, quando o então presidente Juscelino Kubitschek recebeu as lideranças estudantis que protestavam contra o aumento da tarifa dos bondes. Na ocasião, Juscelino convidou o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) a se sentar em sua cadeira presidencial, estratégia que se mostrou correta e conseguiu encerrar os protestos em clima de grande cordialidade.
A despeito do teor das reivindicações, de sua exequibilidade ou até mesmo de sua razoabilidade, é importante que todos entendam que a violência precisa ser evitada de todas as maneiras. Na história da humanidade ela só serviu para intensificar as tragédias e as injustiças.
Em função disso, vamos torcer para que nos próximos protestos os estudantes gritem a vontade e os guardas só segurem os mais exaltados. E que a Prefeitura converse antes, se possível. Será melhor para todos.