Encher o carrinho com a compra do mês tem ficado cada vez mais difícil em Franca. Levantamento do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef mostra que a cesta básica na cidade atingiu neste mês o maior valor desde janeiro. A soma dos itens chegou a R$ 236,08, uma alta de 12% se comparado ao preço pago pela mesma cesta em agosto do ano passado. Naquela oportunidade, a cesta básica custava R$ 208,38.
Composta por 13 produtos considerados suficientes para o sustento de um trabalhador em idade adulta, a cesta teve como maiores vilões o tomate e o feijão. Estes alimentos tiveram variação superior a 25% em relação ao mês passado. O preço da carne também contribuiu para encarecer a cesta básica, já que sofreu, segunda a pesquisa, reajuste de 4,78% nesse intervalo.
Para o empresário Carlos Pereira, dono do supermercado Pereira e presidente da Associação dos Supermercados de Franca e região, as altas nos preços dos produtos já começaram o surtir efeito no bolso dos consumidores. “O cliente reclama e as compras começam a ficar menores. Pesa para quem é assalariado”, afirmou.
Pereira também citou o óleo, o arroz e a farinha de trigo na lista de produtos com altas sucessivas nos últimos meses. No caso do arroz, a quebra da safra no Rio Grande do Sul, consequência de uma longa estiagem que começou em 2011 e continua castigando o estado, é apontada como um dos principais fatores para o aumento do cereal no mercado. “Um fardo de farinha de 25 quilos subiu de R$ 29 para R$ 35, uma diferença de 20% que a gente não consegue deixar de repassar para o consumidor”, explicou Pereira.
Segundo a pesquisa, em relação aos produtos básicos, o tomate foi o que teve maior acréscimo de um mês para o outro. O motivo, de acordo a análise do Ipes, teria sido o período de entressafra registrado desde julho. No grupo de carnes, a suína apresentou o maior acréscimo. O produto encareceu principalmente em razão da retomada das vendas para o exterior. Com diferença de algumas semanas, a arroba que era negociada a R$ 35 passou a ser comercializada a R$ 67.
“Franca sempre teve um indicador mais baixo nos produtos da cesta básica, mas nos últimos meses esse valor tem se equiparado ao de capitais, como Goiânia”, disse a professora do Uni-Facef e coordenadora do Ipes, Melissa Cavalcanti Bandos. Ainda de acordo com a professora, o acréscimo nos preços dos alimentos tem ligação direta com as interferências climáticas e também com o aumento efetivo da inflação. “É um conjunto de fatores: o clima, principalmente, interfere muito. Os contrastes de frio em excesso, muita chuva ou seca prolongado danificam as culturas, o que diminui a oferta de produtos.”