09 de julho de 2026

Mesmo longe do litoral, cidade ‘ganha’ 15 mergulhadores/mês


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Antonio Verdi, que mergulha há 4 anos, e Renata Pimentel (10 anos de experiência), na piscina do Castelinho

Se sentir livre embaixo da água, conhecer espécies de peixes e vegetação aquática e respirar livremente como se estivesse na superfície. Essas são algumas das impressões de quem pratica mergulho, uma atividade que atrai cada vez mais pessoas, seja para recreação ou de forma profissional. A região de Franca, mesmo localizada a centenas de quilômetros do litoral, tem alto potencial hídrico e, graças a isso, ganha mensalmente, pelo menos, 15 novos “mergulhadores”.

Essa grande quantidade de água deve, além de atrair turistas e aventureiros de todo o Brasil, fazer com que uma das cidades da região, Rifaina, receba em breve o primeiro encontro de mergulho em água doce do País. Além desta cidade há opções para mergulho em Peixoto, na região de Ibiraci, e em Miguelópolis. A informação é do profissional de mergulho e empresário Wagner Kazan, dono da escola Scuba Dive, que participou de uma feira de esportes radicais em São Paulo e agora procura parcerias para conseguir realizar o evento ainda neste ano.

“A represa de Jaguara tem potencial: boa visibilidade, temperaturas de, em média, 26 graus durante todo o ano, além de muitas espécies de peixes e quase uma cidade inteira [em 1971, parte da cidade de Rifaina foi inundada para formar a represa] para ser explorada embaixo da água. Essas características despertaram muito interesse por lá”, afirmou.

Para praticar mergulho é preciso ter uma credencial (sem o curso não se pode mergulhar, comprar ou alugar equipamento) e ela é conseguida através de um curso proferido em escolas reconhecidas por uma agência reguladora. Em Franca, essa escola é a Scuba Dive e o curso básico ou inicial, conhecido como open water diver, tem valor de, em média R$ 800. As formas mais comuns de mergulho são a recreacional e a técnica. A primeira se dá a níveis de profundidade de até 18 metros e a segunda, entre 70 e 100 metros. Para se tornar mergulhador é preciso fazer oito horas de teoria, 10 a 12 horas de aulas práticas na piscina e quatro “check outs”, que são os mergulhos após o término das aulas. Com mais R$ 1,2 mil, o aluno pode fazer as aulas finais, ou seja, o mergulho, no litoral.

O empresário Antônio Verdi, 30, mergulha há quatro anos. Além das represas da região, já mergulhou em Ubatuba, Angra dos Reis e em uma pedreira com mais de 100 metros de profundidade em Sorocaba. Verdi fez três cursos até agora: o básico, o avançado (que permite uma navegação mais profunda, como mergulho em naufrágio e noturno) e o nitrox (que usa misturas gasosas para aumentar o tempo de fundo e a segurança no planejamento de mergulho). O empresário já explorou em mergulho regiões de naufrágios de barcos e de um helicóptero e diz que nunca teve incidentes.

Outra apaixonada pela prática do mergulho é a administradora Renata Pimentel, 30 anos. Todo fim de semana, ela viaja com o marido e a filha Gabriela, que tem pouco mais de sete anos, para Rifaina. Na represa de Jaguara, os três mergulham na companhia de outros amigos. “Minha filha, assim como eu, é fã da modalidade e sempre que possível me acompanha”, afirma. Além de Rifaina, Renata também mergulha no litoral paulista.

O equipamento necessário para mergulhar com segurança são as roupas neoprene de 3 milímetros, regulador, colete equilibrador, máscara, snorkel, cilindro de ar e nadadeiras. Fora da água, o equipamento completo pode chegar a pesar 30 quilos e custar mais de R$ 5 mil, porém são encontrados também para locação - cerca de R$ 120 para cada dois mergulhos.