09 de julho de 2026

Presidente do Equador defende asilo concedido a Assange


| Tempo de leitura: 2 min

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse nesta sexta-feira que o fato de ele ter concedido asilo político ao fundador do website WikiLeaks, Julian Assange, não quer dizer que ele concorda com tudo o que o ativista diz ou faz Correa disse que o Equador concedeu asilo na quinta-feira porque a Suécia não ofereceria garantias de que não extraditaria Assange aos Estados Unidos. Enquanto isso, permanece o impasse na embaixada equatoriana na Grã-Bretanha. Assange permanece no local e a polícia metropolitana de Londres insiste que ele será preso se sair do prédio.

O ex-juiz espanhol Baltazar Garzón, que coordena a defesa de Assange, declarou nesta sexta-feira ao jornal espanhol El País que o Reino Unido tem a obrigação de deixar o fundador do WikiLeaks sair do país. “O que o Reino Unido deve fazer é obedecer as obrigações diplomáticas da Convenção da ONU para Refugiados e deixá-lo sair, concedendo a ele um salvo-conduto. Caso contrário, recorreremos à Corte Internacional de Justiça”, declarou Garzón ao jornal espanhol.

Garzón também criticou a atitude do governo britânico e as ameaças de “"invasão” da embaixada equatoriana, onde Assange está refugiado há dois meses. Ele ressaltou que o país deve respeitar a convenção para refugiados, tendo em vista “o risco que corre uma pessoa vítima de perseguição política”.

O Reino Unido afirma que não pode permitir a passagem livre do australiano para o Equador devido ao mandado de prisão contra ele — o país chegou a afirmar que pode utilizar uma obscura lei para revogar o status da embaixada e assim entrar no local para prender o fundador do WikiLeaks.

Assange se refugiou na Embaixada do Equador em Londres em 19 de junho para evitar a extradição à Suécia, onde é procurado porque sofreu acusações de duas mulheres, que o acusaram de estupro. Assange nega as acusações. Correa disse em entrevista ao rádio nesta sexta-feira que é possível que Assange tenha cometido “uma ofensa” mas insiste que ele merece um processo justo.

Correa repetiu o argumento equatoriano, de que Assange poderá sofrer uma condenação à prisão perpétua ou à morte nos EUA. Os partidários de Assange acreditam que o governo americano indiciou secretamente o australiano por ter publicado centenas de milhares de documentos secretos do Departamento de Estado.

Em outra medida, o governo equatoriano declarou nesta sexta-feira na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, que pedirá a condenação da Grã-Bretanha pela entidade, por causa das ameaças da polícia metropolitana de Londres de invadir a embaixada equatoriana na capital inglesa.