08 de julho de 2026

Origem divina


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Segundo o que nos ensina a Doutrina Espírita, a Revelação Divina foi apresentada à humanidade em três fases. A primeira por intermédio do grande legislador hebreu, chamado Moisés, que, no Monte Sinai, recebeu o mais belo código moral, o Decálogo.

Conduzindo o povo hebreu à terra prometida, a qual ele mesmo não pisou, Moisés revelou aos homens a idéia do Deus único. Contudo, devido às condições do povo, recém saído do cativeiro no Egito, o Deus que Moisés revela é um Deus Patrão, Dono, Senhor, Guerreiro, Iracundo. No estágio evolutivo da humanidade de então, era impossível falar de um Ser Supremo que não tivesse os atributos de um soberano terrestre. Portanto, a primeira fase da Revelação Divina tem a personificá-la a figura de Moisés, que foi criado nos mistérios do Egito, já que fazia parte da corte do faraó reinante à época. Só mais tarde, quando se descobriu descendente dos hebreus é que Moisés abandonou o palácio e foi viver com o povo.

A segunda fase da Revelação Divina tem a personificá-la nosso Mestre Jesus, emissário do Pai para ensinar ao povo a lei do amor. Por isso, o Deus que Jesus nos revela é um Deus Pai, que ama toda sua Criação e que é o Espírito – conforme disse Jesus à Samaritana –, que dirige todo o universo. Não é homem, nem mulher. É entidade infinita em todos os bons sentidos.

Cristo nos legou o Evangelho – Boa Nova – que é o mais amplo código de moral que a humanidade conhece. Como espírito puro, veio à Terra para nos ensinar o caminho de retorno à casa do Pai. Nos seus ensinamentos, a bondade divina dulcifica-nos o esforço na seara evolutiva. Quanto consolo, quando o Mestre nos diz: ‘Olhai os lírios do campo e as aves do céu. Não fiam e nem tecem e, no entanto, nem Salomão, com toda a sua glória, vestiu-se como um deles.’ É a bondade divina em sua manifestação inequívoca.

A terceira fase da revelação, ainda segundo nos ensina o Espiritismo, veio com a manifestação dos espíritos, por intermédio dos fenômenos mediúnicos, devida e sabiamente codificados por Allan Kardec. Por isso, o Espiritismo não tem a personificá-lo a figura do ilustre professor Hippolyte Léon Denizar Rivail – o codificador.

São os espíritos do Senhor que ditaram os ensinamentos em que se consubstancia. Com eles aprendemos que ‘Deus é a inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas’ (Questão número 1 de O Livro dos Espíritos, a obra basilar do Espiritismo).

Revivescendo os ensinos de Jesus, a doutrina dos espíritos revela-nos Deus como inteligência suprema, oferecendo-nos à razão alguns dos seus atributos que nos são dados conhecer segundo o nosso ainda tacanho nível intelectual e moral: absoluto em tudo quanto lhe cumpre o supremo desiderato da condução do espírito ao seu reino inefável. Lembrando João, ‘Deus é Amor’.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca