Há anos luz dos video games, da internet, de bate-papos virtuais; a grande diversão da juventude da década de 1950 de Franca e de tantas outras cidades eram os cinemas.
O Cine Santa Maria e seus filmes eram ponto de encontro de jovens francanos, dentre eles, Zé Tatu -franzino, dentes projetados para frente e altura inversamente proporcional à sua grande criatividade de “aprontar” peripécias que levavam sua turma da Praça Nove de Julho às gargalhadas.
Há duas semanas em cartaz, “Joana d’Arc- A Santa Guerreira” era sucesso absoluto nas telas do Santa Maria. O ápice do filme era seu final quando a heroína seguia para a fogueira; a câmara focalizava Joana de costas caminhando lentamente para as chamas, próxima ao fogo ela faz breve parada, vira-se, “encara” a câmara com lágrimas de martir e retorna a caminhada rumo ao seu doloroso destino. Emocionante!
Nosso Zé Tatu, menos adepto a grandes atos de heroismo e tendo assistido algumas vezes ao filme, preparou com esmero uma das suas.
Última sessão de “Joana d’Arc”, cinema lotado, emoção na plateia e Joana fazia sua derradeira caminhada para a fogueira quando no meio do público em silêncio Zé Tatu grita:
-Joana, Joana!
Então ela para, encara a platéia e Tatu dispara:
-Nada não, pode ir.
Até o mais fervoroso cristão não contém a gargalhada.
Obs- Colaboração de Nenê Bittar.