Por que esse ser errante
Anda vagando na noite
Na praça ausente de gente
Nas ruas escassas de luz?
Será louco delinquente
Poeta insone demente
Buscando no negrume da noite
Alguma luz que se acende?
É que o burburinho do dia
Cacofonicamente atropela
Deixando dormente o sentido
A razão em ponto de espera
Perdido- poeta- noite
Louco ou lúcido além
Cada átomo de seu corpo desperto
Ele, o silêncio e ninguém
O que te atormenta e vivifica?
E faz teu pulso tão forte bater?
Amores, saúde, negócios?
Que ilusão há de ser?
Mas sabem as criaturas da noite
Que é preciso sorver
Até última gota do copo
Essa ilusão-de-viver
Uma vaga de brisa o leva
O dia já vai acontecer
E banalizar as questões
Que só a noite pode entender.
Descansa, poeta, que é dia
Não há o que se possa fazer
E as horas trarão nova noite
Talvez o seu amanhecer.