09 de julho de 2026

Equador dá asilo a Assange; impasse em Londres continua


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O governo do Equador concedeu nesta quinta-feira asilo político ao australiano Julian Assange, fundador do website WikiLeaks, uma medida que emocionou os partidários do editor mas não encerrou o impasse que envolve a Embaixada do Equador em Londres, onde Assange está refugiado desde 19 de junho e que continua cercada pela polícia metropolitana de Londres. O reconhecimento de Assange como um refugiado político pelo governo equatoriano foi uma vitória simbólica para o australiano de 41 anos, que luta para não ser extraditado à Suécia, onde é acusado de abuso sexual e estupro por duas mulheres. Assange nega as acusações. Ele teme que, caso seja extraditado à Suécia, Estocolmo o entregue aos Estados Unidos, onde pode ser processado por ter divulgado centenas de milhares de documentos secretos do governo dos EUA no WikiLeaks

Assange fará um pronunciamento à imprensa no domingo, na frente da embaixada equatoriana na capital inglesa. A questão agora é como ele deixará a embaixada e a Grã-Bretanha. Vinte policiais britânicos estão em frente e ao redor da embaixada equatoriana. Se sair, Assange será preso, porque escapou da prisão domiciliar em meados de junho.

O ministro de Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, afirmou que Assange enfrenta uma perseguição real com a ameaça de ser extraditado para os Estados Unidos, onde, segundo o ministro, não terá um julgamento justo e pode ser condenado à morte. O fundador do WikiLeaks irritou os Estados Unidos em 2010, quando seu site publicou centenas de milhares de documentos diplomáticos secretos. Ele disse temer que a Suécia o extradite para os EUA, e acredita que ali sua vida corre perigo

Na quarta-feira, Patiño acusou o governo do Reino Unido de planejar invadir embaixada do Equador, em Londres, para prender Assange. "Seria um ato hostil e inamistoso, da parte de um Estado com o qual o Equador tradicionalmente mantém uma relação amigável e de cooperação", disse o ministro na ocasião. Nesta quinta-feira, o site do WikiLeaks condenou a ameaça britânica, classificando-a como um ataque "hostil e extremo" às pessoas que pedem asilo político.

Patiño não explicou como retirará Assange da embaixada e da Grã-Bretanha. A questão já provocou uma crise diplomática entre o Equador e o Reino Unido. A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião de emergência para discutir a crise na noite desta quinta-feira, enquanto a União das Nações Sul-americanas (Unasul) se reunirá no domingo, a pedido do presidente do Equador, Rafael Correa. A reunião da Unasul deverá acontecer em Guayaquil, cidade litorânea equatoriana.

O Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido afirmou nesta quinta-feira que está desapontado com a decisão do governo do Equador de conceder asilo político a Assange. O governo britânico disse ainda que planeja cumprir sua obrigação legal de extraditá-lo para a Suécia, onde o australiano enfrenta acusações de estupro.

Por sua vez, o Ministério de Relações Exteriores da Suécia convocou seu embaixador em Quito para discutir a situação. O porta-voz do ministério, Anders Jorle, disse nesta quinta-feira que é "inaceitável que o Equador esteja tentando interromper o processo judicial sueco."

Assange nega as alegações de estupro, dizendo que o processo criminal tem motivações políticas, apenas um subterfúgio para efetuar sua extradição para os Estados Unidos. O WikiLeaks vazou centenas de milhares de documentos secretos dos norte-americanos.

IMPASSE LONDRINO CONTINUA - A concessão de asilo a Julian Assange pelo Equador desencadeou um impasse sem prazo para terminar. O governo do Reino Unido rejeita a possibilidade de conceder um salvo-conduto e pretende prender o fundador e editor-chefe do site WikiLeaks assim que ele sair da embaixada equatoriana em Londres para extraditá-lo para a Suécia para responder a uma acusação de violência sexual. A falta de acordo alimenta questões em relação a se existiria alguma maneira segura de Assange esquivar-se das autoridades britânicas e deixar o Reino Unido com destino a seu exílio no Equador.

Simpatizantes do australiano defendem que ele receba imunidade diplomática. Para tanto, Assange precisaria receber cidadania equatoriana e ser declarado membro do quadro diplomático da embaixada. No entanto, ele precisaria do reconhecimento do governo britânico como diplomata, e é improvável que isso aconteça.

Uma outra possibilidade, segundo o jurista Carl Gardner, seria o Equador nomear Assange seu representante na Organização das Nações Unidas (ONU). Isto o tornaria imune à prisão em deslocamentos para eventos da ONU ao redor do mundo. Eventualmente, Assange poderia até ter esse status revogado pela Assembleia Geral da ONU, mas estaria protegido enquanto isso não acontecesse.

Também existe a possibilidade de Assange tentar sair disfarçado da embaixada, mas ele estaria sujeito à imediata detenção caso fosse identificado. A polícia londrina está posicionada em frente à embaixada equatoriana desde junho, quando Assange refugiou-se ali.

Outra alternativa seria levá-lo em segredo a alguma pista de pouso particular ou a algum porto ermo, mas advogados lembram que o governo britânico está atento a essas possibilidades. "Ele pode ser preso assim que sair da embaixada, mesmo que seja em um carro com placas diplomáticas", diz Julian Knowles, advogado especializado em casos de extradição.