Seu currículo é bom. Estudou em uma boa instituição de ensino, fez cursos e mais cursos paralelos, fluente em duas línguas estrangeiras, “técnico” em informática e por aí vai. No papel, parece o funcionário que todo o patrão sonha. Até a hora do mano a mano. Aí, meu amigo, não existe currículo que sustente uma apresentação desastrosa perante uma banca atenta a cada detalhe, que percebe uma minúscula gotícula de suor, que consegue ouvir o nervosismo ecoando através de sua voz tremula. E olha que não são raras as vezes que o cidadão precisa passar do teste da “banca maldita” nos trabalhos escolares, em alguns processos seletivos e nos cursos superiores. E saber se controlar nestas situações é primordial para que tudo ocorra como o esperado.
E esse sentimento é bem mais comum do que se imagina. Segundo uma pesquisa realizada pelo CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), com mais de 6,6 mil estudantes, 34% deles temem fazer apresentações em público. O segundo “bicho papão” para a galera são as redações e a interpretações de textos, com 27%. A partir de agora, saiba de algumas dicas bastante úteis que lhe ajudarão controlar o medo e, ainda por cima, fazer com que a banca se encante com sua apresentação. “Nunca se esqueça: um bom discurso é aquele que causa impacto positivo nas pessoas. Se eu falar por três horas e o público sair do recinto como entrou, isto é, sem ter algo que tenha sido acrescentado à sua mentalidade, meu discurso foi um fracasso. Se eu falar por três minutos e a partir daí meu público passar a agir de modo diferente para melhor em seus procedimentos cotidianos rotineiros, meu discurso foi um sucesso”, explica Everton de Paula, professor da Unifran e especialista em oratória. Foi ele quem desenvolveu os tópicos abaixo. Leia, decore e use na próxima vez que for a uma entrevista de emprego ou precisar encarar qualquer uma plateia.
7 DICAS PARA FALAR EM PÚBLICO
Saiba o que vai falar:
conheça com profundidade o assunto que vai abordar. Saber seu conteúdo elimina ao menos a metade da inibição de falar em público. Busque sempre ilustrações para os pressupostos que você demonstrar - contar casos faz toda a diferença.
Empatia:
exercite sempre o procedimento de colocar-se no lugar do outro. Acolha o seu interlocutor, evitando a prática da “esgrima” verbal. Sua fala tem que ser positivamente impactante. Não fale apenas por falar; não seja mais um. Provoque o momento “Disney”, ou o momento mágico que consiste simplesmente em causar ao menos um pequeno impacto positivo no ouvinte. Sua fala tem que levar uma mensagem nova ao interlocutor ou plateia, causando geralmente um “oh!” discreto de admiração. Pesquise o sentido da palavra rapport em comunicação e vá totalmente do seu mapa de mundo para o mapa de mundo da plateia. É a essência da comunicação bem sucedida.
Seja você mesmo:
não tente ser nada além de você mesmo. Sorrir é um dos pontos importantes para se conquistar a simpatia do público. Crie seu próprio estilo. Não decore o texto - procure compreendê-lo. Naturalidade acima de tudo. E aqui vai uma dica de ouro: prefira cometer pequenos erros falando espontaneamente do que ler um texto comprometido com o acerto absoluto.
Nunca perca a noção de kaizen:
esta é uma palavra de origem japonesa que significa algo aproximado de “o que estou fazendo para me tornar uma pessoa ainda melhor”. É bem por aí: procure estar bem física, emocional e psicologicamente para que haja dentro de si luz e conhecimento abundantes o suficiente para você compartilhá-los com o seu público. O ouvinte quer notícias boas, lições proveitosas, mensagens positivas, elegância na apresentação, sem afetação ou altivez exagerada.
Seja breve:
a prolixidade faz o público bocejar, sussurrar, mudar de posição, desistir de escutar e ouvir, sair do recinto.
Seja assertivo:
fale e aja com sinceridade, sem inibição, temor ou agressividade. Seja claro e afirmativo, sem deixar dúvidas. Nunca provoque. Defenda seu espaço vital, sem recuar nem agredir. Por exemplo:
- não diga ao seu superior que ele “precisa melhorar a gestão de seu setor”.’
O corpo fala:
cuide e exercite ao máximo a linguagem não verbal: a aparência (o mais discreta possível), higiene pessoal, o emprego de cores neutras no traje, evite cacoetes não verbais (coçar-se, mãos nos bolsos, andar de um lado para outro, por exemplo).