08 de julho de 2026

Santa Casa outra vez


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Diz um ditado popular que ‘cão que late não morde’. Mas o escritor e humorista Millôr Fernandes acrescentou a expressão ‘enquanto late’, o que modificou seu sentido original. E o fez de tal forma que ficou complicado saber qual deles ficou mais adequado ou verdadeiro.

Quando aplicamos esse ditado e sua paródia à atual situação da Santa Casa, aí o significado se complica de vez. Não é de agora que a população mais carente de Franca e região vive sob a ameaça de paralisação dos trabalhos desse hospital. Nesses últimos dois anos, a Santa Casa já ameaçou várias vezes, sem contar outras mais antigas que já se perderam no esquecimento da história. Como consequência, somos obrigados a repercuti-las na mesma proporção em que são divulgadas. Não fosse um assunto tão delicado e importante para a população, com certeza já estaria se tornando um tema muito chato para os leitores.

Primeiro, as ameaças focaram apenas as cirurgias eletivas. Depois de muita discussão, diversas reuniões e muito empenho por parte de nossas autoridades e de todos os demais envolvidos, a Santa Casa recebeu alguns recursos para acabar com a fila de espera para essas cirurgias.

Nessas últimas semanas, porém, a ameaça recaiu sobre todos os serviços. Não fosse a ação do prefeito municipal, talvez tivéssemos realmente assistido à mordida do ‘cão’ que continua latindo de maneira cada vez mais constante e com um volume não menos crescente.

No final do ano passado, já advertíamos nesse mesmo espaço que a euforia por conta dos 2 milhões de reais de verba parlamentar indicada pelo deputado estadual Gilson de Souza e pela realização de um mutirão para diminuir a fila de cirurgias eletivas seria apenas uma alegria passageira de Natal. Ponderamos, também, que mesmo as promessas feitas na época pela coordenadoria regional de Saúde do Estado, de que o governo estaria estudando a possibilidade de aumentar o teto de cirurgias a partir de fevereiro e também estaria preparando um projeto para recuperar hospitais filantrópicos, não deveriam ser recebidas com muito entusiasmo e expectativa.

Até mesmo a vinda do ministro da saúde, Alexandre Padilha, que esteve na cidade recentemente e anunciou a disponibilização de uma verba extra para que o Estado de São Paulo pudesse lidar melhor com a situação claudicante de suas Santas Casas não foi vista como uma solução para o problema e, sim, como mais um paliativo, importante, é claro, mas que muito rapidamente deixaria entrever a precariedade da situação.

No fundo o que a Santa Casa está tentando com essas ameaças é fazer com que nossas autoridades se movam no sentido de buscar os recursos necessários para continuar empurrando o problema para frente, sempre à espera de uma solução definitiva que, a despeito de nossa Constituição, parece ainda muito longe.