08 de julho de 2026

Mendigos no banheiro


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De forma geral, aquilo que é público não pode ser utilizado pelo interesse privado. Está na lei. Isto vale para o dinheiro, para todo tipo de equipamento e também para os espaços. Os automóveis a serviço do Estado, por exemplo, não podem ser utilizados pelos funcionários públicos para fins particulares, assim como as praças não podem ser tomadas pelas pessoas como se fossem áreas de lazer particulares.

Como todos devem se lembrar, os bares foram obrigados a retirar suas mesas das calçadas justamente por estarem ocupando um espaço público em benefício próprio, se bem que nesse caso ainda há muita controvérsia embutida, já que para vários cidadãos francanos, de maneira geral amantes de um bom papo com os amigos no ambiente mais informal das calçadas, esse interesse não é assim tão privado, tão restrito apenas aos donos dos bares de nossa cidade.

Além deles, os carrinhos de lanches também precisaram abandonar as ruas de Franca e se instalar em algum ponto comercial, pois estavam indevidamente se aproveitando de um espaço público para tirar um proveito particular. E os comerciantes que invadiram as calçadas na avenida Champagnat também tiveram que acertadamente devolver a área pública que haviam tomado.

Mas ao mesmo tempo em que a lei é tão severa para alguns, infelizmente não o é para outros. Pelo menos a julgar pelo que está acontecendo nas imediações da área pública onde acontece a feira livre do bairro da Estação. De acordo com os moradores que vivem nas imediações desse terreno, logo após a construção de um banheiro pela Prefeitura, erguido para servir exclusivamente aos feirantes, cinco moradores de rua se instalaram na parte de trás desse espaço e lá resolveram ficar, servindo-se do corredor formado pelas paredes do prédio e os muros das casas vizinhas.

O problema, no entanto, é que essa inusitada e irregular vizinhança não é tão quieta e pacífica como deveria ser, de acordo com os padrões esperados de convivência e civilidade entre vizinhos. Segundo os moradores, as brigas, as ofensas e a bagunça se estendem pela noite e o mau cheiro causado pela sujeira que esses mendigos fazem é de tirar o sono e a paciência.

Dentro de todo esse contexto, seria natural, ou pelo menos por todos esperado, que o poder público agisse com a mesma medida e presteza com a qual agiu nos casos mencionados acima, pois da mesma forma que os bares, restaurantes e bolotas, esses moradores de rua também se apropriaram indevidamente daquilo que é público. Mas, para desencanto e espanto de toda a população, nesse caso específico as autoridades não têm nenhum plano para atenuar o problema. Nem mesmo colocar algum tipo de grade ou proteção para impedir a entrada desses mendigos no local.