Cerca de 260 pessoas se reuniram na última quinta-feira no Sesi de Franca para estabelecer contato e discutir a arte contemporânea baseando-se no motivo da 30ª Bienal das Artes: A Iminência das Poéticas. Uma parceria entre a entidade e o Educativo Bienal de São Paulo está levando ao interior paulista um pouco do universo desta edição que acontecerá no próximo dia 07, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, na capital paulista. A artista plástica Guga Szadzon e o curador Matias Monteiro, percorreram Marília, Birigüi, São José do Rio Preto, Franca e Ribeirão Preto com formações que envolveram vídeos, música, ações poéticas e discussões sobre a vivência prática de conceitos trabalhados nesta exposição. “A intenção é falar um pouco sobre o que será essa Bienal para, quem sabe, criar um interesse nas pessoas de irem até lá e promover uma aproximação entre o público e os artistas contemporâneos “, explicou Guga.
Por volta das 14 horas, o auditório do Sesi já estava repleto. Os ‘palestrantes’ então propuseram que todos deixassem seus objetos em seus lugares e se encaminhassem para a área externa onde participariam de uma ação poética. Copos de plástico foram distribuídos e o grupo foi dividido em dois. A proposta era para que metade das pessoas enchessem seus copos com água e a outra metade permanecesse com eles vazios. A tarefa inicial era que os ‘copos-cheios’ repartissem como bem quisessem o líquido com os ‘copos-vazios’. Muito fácil até aí. O passo seguinte foi continuar a transferência mas sempre de um modo inusitado. Alguns fecharam os olhos, outros compartilharam levantando os braços, em cascata de recipientes, fazendo poses e o que mais a imaginação lhes permitiu. O que começou timidamente terminou com uma profusão de passos, risadas e chão molhado. Tudo aconteceu em 15 minutos e todos voltaram ao teatro do Sesi. “Gosto mais de ter o copo cheio” disse uma. “Preciso aprender a confiar na pessoa ao lado de olhos fechados”, revelou outro. “Você se desprendia da água para dá-la ao próximo”, concluiu mais um. Da experiência conjunta, cada um teve uma visão particular.
Um vídeo com relato dos envolvidos na construção da Bienal deu uma noção da grandiosidade do evento que acontece em um espaço aproximado de 22 mil metros quadrados. Uma peculiaridade da 30ª Bienal é que os artistas virão do anonimato. O poeta Luís Perez Orama é quem está a frente da curadoria e “buscou aqueles talentos que estavam atrás da prateleira”, como definiu Guga. A ‘sacada’ é mostrar que a arte acontece de um encontro do público com a obra e que isso não dependente de técnicas, renome ou conhecimento específico. É dizer que a arte nasce quando a obra desperta no espectador um estranhamento, uma felicidade, uma sensação, independente do nome que a assina ou de sua complexidade. O debate, pautado pela provocação O que acontece quando você consente? se estendeu até às 17 horas. “Até agora tem sido fantástico e a gente tem sido muito bem recebido pelo Sesi. O saldo das formações é super positivo”, revelou Matias.
A Bienal A Iminência das Poéticas contará com 111 artistas e cerca de 2500 obras. Nos dias 05 e 06 de setembro o Educativo Bienal abre formação exclusiva para educadores. “Distribuiremos um material educativo em formato de pranchas soltas. Nele estarão algumas provocações, imagens de artistas e um pequeno texto sob cada imagem. A ideia é que os professores trabalhem com esse material na sala de aula. Não é um livro para ficar na prateleira”, alertou Guga. As inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo site www.divertecultural.com.br a partir do dia 15 de agosto.