09 de julho de 2026

Guardião das Memórias: museu presta homenagem para patrono


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No centenário de seu patrono, José Chiachiri, o Museu Histórico resgata lembranças e promove sarau para homenageá-lo

Guardião das Memórias “O museu trouxe de volta os amigos que o jornal levou”, dizia José Chiachiri, patrono do Museu Municipal que carrega seu nome. Hoje completaria cem anos se vivo estivesse e, para homenageá-lo, o arquivo histórico prepara para esta sexta-feira, a partir das 20 horas, um sarau aberto ao público com apresentação do conjunto Seresta & Cia. Além de uma exposição com fotos, recortes e narrativa de textos de Chiachiri, o evento terá a participação de um grupo de amigos que cantará a biografia do homenageado. “Armazenamos uma pasta com os artigos que o Chiachiri publicou. Eles estarão em exposição para a comemoração de seu centenário”, informou Margarida Pansani, diretora do Museu.

Chiachiri nasceu em um lar simples e teve uma trajetória marcante em Franca. Nascido em Vargem Grande do Sul (SP), desistiu de trilhar um caminho no comércio da família para dedicar-se às letras. Ganhava o pão contando as histórias de Franca como jornalista. Em sua terra natal, passou pelo jornal A Imprensa, e, mais tarde, elaborou crônicas para este mesmo título que o leitor tem em mãos: o Comércio da Franca. Com o parceiro Chico Adelino, fundou na década de 30 o jornal Diário da Tarde, pouco depois de por em circulação a revista Sertaneja. Tudo isso somou bagagem para seu grande feito: por de pé o Museu Histórico Municipal. Amante da História, ouviu do prefeito Onefre Gosuen, em 1957, a proposta para vender o Diário da Tarde e se dedicar à empreitada de reunir em um só espaço a memória popular. Topou e começou sua saga para arrecadar objetos pela região; percorreu fazendas e residências, serpenteou a terra que o acolhera e resgatou caros artefatos doados de bom grado pelos munícipes e vizinhos. “Meu pai pegava retrato das famílias, objetos, qualquer coisa que oferecessem. Conseguiu todas as peças de graça, não gastou nenhum tostão”, relembrou José Chiachiri Filho.

Com um material consistente, impôs-se em 1959, na antiga residência do Capitão Acácio Pereira, na rua Dr. Júlio Cardoso, a primeira sede do arquivo histórico que mudou-se definitivamente para a rua Campos Salles em 1970. O patrono aproveitou pouco o novo local porque veio a falecer em 1972. O triste fato tornou oficial a ligação entre homem e edifício e, em 1976, com o decreto 3.626 de 18 de maio, o então Museu Histórico Municipal foi rebatizado como Museu Histórico Municipal José Chiachiri. “Foi uma homenagem por justa causa. Ele quem batalhou para criar o museu em Franca com um trabalho árduo e sofrido”, reconheceu Margarida.

Hoje, após 45 anos desde sua fundação, o arquivo histórico de Franca conserva um dos mais importantes acervos históricos do interior paulista mantendo exposições temporárias e atividades educativas recebendo cerca de mil pessoas ao mês.


Curiosidades sobre o Museu:

>> As dependências do Museu Histórico foi construída em 1896, projetada pelo arquiteto francês Victor Dubugras. Carregado de traços medievais, as colunas de entrada contrastam sendo uma quadrada e a outra redonda. Antes de abrigar o museu, o edifício já foi sede da antiga Cadeia Pública e do Fórum francano até o ano de 1913. Depois passou a ser sede da Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores. Em 11 de agosto de 1997 o edifício foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). Há uma réplica deste prédio em Araras (SP).

>> A capacidade de armazenamento do José Chiachiri já está no limite, com 4 mil peças. Eventuais doações são remanejadas a museus da região.

>> As peças mais antigas são artefatos fossilizados encontrados nas margens do Rio Grande. Jacaré, peixes e tronco de arvores completam a lista.

>> O museu é guardião de urnas funerárias, conhecidas como Igaçabas, que contêm dentes e ossos de índios caiapós.

>> Uma das peças mais nobres é o par de sapatos do Papa João Paulo II. Em sua primeira visita ao Brasil, em 1980,o beato os doou ao Dom Diogenes Matthes, que cedeu a relíquia ao museu.

>> De acordo com a diretora do arquivo histórico, Margarida Pansani, o objeto de maior destaque é o carro Ford Modelo T ano 1920, doado pela família de Cavalheiro Ângelo Pressoto em 30/10/1968.