Diariamente, todos nós que estamos neste planeta, aprendemos, surpreendemos e emocionamos. Nossa trajetória é, inegavelmente, pontuada pelo desconhecido, pelo novo e, principalmente, por um constante e permanente aprendizado. Porém, é inegável que, nessa verdadeira escola de vida é o próprio ser humano, o grande protagonista do planeta, que nos reserva as maiores surpresas, algumas positivas, outras bastante negativas.
Se há um setor em que, com frequência, levamos a vida inteira aprendendo e se surpreendendo, sem, no entanto, conseguir colar grau, é o do relacionamento humano. Relacionar-se com o próximo é uma ciência sem fórmulas acabadas. Quantas vezes temos que dizer sim, quando a vontade é dizer não? Quantas vezes, ao contrário, temos que dizer não, quando no fundo gostaríamos de dizer sim?
Quantas são as vezes que nos magoamos para não magoar o outro, ou, ao contrário, magoamos o outro, para não nos magoarmos? Quantas escolhas erradas o ser humano faz na vida, e quantas atitudes convictas ele toma e que, no futuro, se mostram totalmente equivocadas?
Incontáveis foram às oportunidades que ouvi alguém dizer que o ser humano é uma caixinha de surpresas. Várias foram as vezes nas quais encontrei pessoas lamentando o fato de ter vivido uma vida ao lado de uma pessoa, mas que acabou descobrindo que, no fundo, não a conhecia bem. Nesse caso, geralmente, a surpresa vem em tom de traição e é, portanto, mais dolorosa.
O interessante é que os religiosos, os teólogos, os filósofos e até homens de ciência, todos os humanos, enfim, duelam suas teses na esperança de comprovar o maior mistério: será que a nossa vida é uma viagem com um bilhete de ida? Ou, ao contrário, será que teremos outras oportunidades de aprendizado? Talvez uma vida não seja suficiente.
É evidente que tenho minha própria convicção, aquela que me sustenta e me dá forças para viver com ânimo e disposição, não obstante os momentos em que a prova revela-se, aparentemente, insuportável e insuperável. Não há como negar que, no fundo, todos estão submersos em um mar de dúvida e incertezas. Aliás, a única coisa absoluta que a vida nos reserva é a certeza de que tudo é relativo.
No plano religioso, se bem atentarmos, constataremos que todas as religiões e seitas espalhadas pela Terra têm, entre elas muito mais pontos de contato do que divergências. É, portanto, razoável afirmar que divergem no varejo, mas convergem no atacado.
Quem sabe são exatamente essas incertezas e essas constantes surpresas que a vida nos reserva, que a faz ter sentido, que lhe dá cor e sabor.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca