09 de julho de 2026

O preço da fidelidade


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Sabendo que poderia ser cassado, Marco Garcia preferiu ficar ao lado de Sidnei Rocha

Marco Garcia fala o que pensa. Normalmente, não pensa muito para falar. Por um lado, a maneira autêntica de agir e expor suas opiniões ajuda a construir a imagem de um político de personalidade. Por outro, contribui para criar divergências. Na condição de presidente da Câmara, ano passado, causou alvoroço interno ao dizer que, se alguns vereadores pagassem para trabalhar ainda seria caro. Chegou a dizer que o Legislativo é um ninho de cobras. “Tem gente que fala bom dia e, à tarde, enfia a faca nas costas.”

Mais do que pelo temperamento explosivo, Marco é conhecido nos bastidores políticos pela lealdade. Embora não ostente o cargo - conferido a Jépy Pereira (PSDB) - por diversas vezes exerceu o papel de líder do prefeito na Câmara. Comprou brigas e trocou farpas com a oposição para defender Sidnei Rocha no plenário. Graciela Ambrósio (PP) e Silas Cuba (PT) se tornaram alvos frequentes.

Em julho do ano passado, deixou claro o seu descontentamento com a intervenção no PP, que tirou João Marcos Rodrigues e conduziu Graciela à presidência. “Foi uma atitude arbitrária, brutal e ditatorial.” Controlado por gente de confiança do prefeito, o PP foi parar na mão da principal opositora. Marco não digeriu as mudanças de rumo na legenda. Várias vezes, disse que iria sair. Recebeu convites.

No dia 30 de setembro, na reta final do prazo para filiações, cumpriu a promessa e deixou o PP. Foi para o PPS. O partido integra a coligação de apoio ao PSDB do amigo Sidnei Rocha. Mesmo sabendo que corria o risco de ser cassado, ele pagou para ver. A lealdade teve o seu preço: a perda do mandato de vereador.

Alívio
Oscar Mércuri e Laércinho também foram eleitos pelo PP e votam com a bancada governista na Câmara. Nos dias seguintes à intervenção, foram orientados por gente próxima a Sidnei para se filiarem em legendas “amigas”. Avaliaram os prós e contras. Decidiram ficar. Hoje, respiram aliviados por não terem ouvido os conselhos.

Faltou fé
Primeira suplente do PP, pastora Miriam de Carvalho também pulou fora do partido em setembro do ano passado. Foi para o PR. Agora, também poderá ser enquadrada como “infiel” e ver a vaga de vereador cair no colo de Carlinho Miramontes.

Quase vereadora
Se não assumir como vereadora, será o segundo revés sofrido por Miriam de Carvalho em pouco mais de um ano. Em abril de 2011, o então presidente Marco Garcia se licenciou por 15 dias para cuidar de um problema no coração. Convocada pelo presidente do partido, a pastora foi ao plenário para assumir a vaga dele e teve o nome inserido no painel eletrônico, que registra a presença e votação dos vereadores. Aprendeu como votar no terminal existente nas mesas. Mas não assumiu. O Regimento Interno prevê que o suplente só pode assumir quando o titular se afasta por tempo superior a 60 dias. Não era o caso. Após esperar por 45 minutos, a pastora teve de se levantar e deixar o plenário sem, de fato, ter sentido o gostinho de ser vereadora.

Foguetes
A eventual posse de Carlinho Miramontes, segundo suplente do partido, deverá resultar em problemas para Sidnei Rocha. O ex-vereador diz a amigos que foi humilhado quando ocupou cargo de confiança no governo. Uma das atribuições seria espantar urubus no lixão com foguetes.

Milagre da multiplicação
Com a exceção de Ubiali, candidatos a prefeito em Franca declararam que não arrecadaram mais do que R$ 1 mil neste início de campanha eleitoral. Devem estar no vermelho ou então pagando do próprio bolso despesas com cabos eleitorais, santinhos, aluguel de comitê e gravações da propaganda eleitoral.

Propagandômetro
Se propaganda ganhar eleição, Pastor Otávio e Josivaldo Bahia, ambos do PTB, devem se dar bem. São os que mais adesivaram carros com seus nomes e números.

Dossiê
O prefeito Sidnei Rocha mantém em sua sala uma pasta com os nomes de ocupantes de cargo em comissão na Prefeitura que foram indicados por antigos aliados e que se transformaram em adversários na campanha eleitoral. Na lista, estão membros do PTB, apadrinhados de Ary Balieiro, e do PSB, que estão apoiando a candidatura de Ubiali. Enquanto o prefeito espera que eles peçam exoneração, os nomeados fingem de árvore.

Éééé, do Oscar!
O Jardim Paulistano II ganhou o seu primeiro semáforo na semana passada. Instalado no cruzamento das avenidas Brasil e Major Elias Mota, equipamento causa divergência sobre a paternidade entre os vereadores. Oscar Mércuri (PP) jura que ele é o autor do pedido atendido pela Prefeitura.

Agenda
A Câmara realizará sessão solene hoje em homenagem ao Dia do Advogado. Sete profissionais do Direito serão homenageados no evento proposto por Pastor Otávio (PTB). Amanhã será a vez dos padres serem lembrados. A sessão convocada por Laércinho (PP) vai homenagear o Frei Dito, o padre Everaldo Donizete e o padre Marquinho.

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br