09 de julho de 2026

Mototaxistas, a novela


| Tempo de leitura: 2 min

A história, definitivamente, começa a cansar. Já faz quase dois anos que essa novela se desenrola, sem que contudo se alcance um desfecho adequado. O problema é que ele continua atual, se repetindo como um enredo pleno de trapalhadas, recursos e protestos, o que nos obriga, enquanto observadores, narradores e analistas da prática social cotidiana, a abordá-lo nessa mesma proporção, uma vez que suas consequências impactam na vida de muitas pessoas.

Tudo começou em 2010, quando o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) passou a exigir que todos os mototaxistas da cidade apresentassem o certificado de um determinado curso para que pudessem regularizar sua situação profissional. Até aí, tudo certo.

O problema é que o curso exigido ainda não estava disponível nem na cidade nem em toda a região próxima. Na época, houve muita polêmica e até mesmo alguns protestos. Motos foram apreendidas e alguns tímidos tumultos ocorreram pela cidade, já que nem mesmo o mais aplicado e consciencioso destes profissionais conseguiria fazer um curso que não existia.

Felizmente, porém, o absurdo foi atenuado pelo TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que o município firmou com o Ministério Público, credenciando provisoriamente os profissionais que precisavam trabalhar. Mas, como em toda novela, logo o suspense ressurgiu novamente. Ao final do prazo determinado, nenhum órgão havia sido credenciado para ministrar o curso, o que gerou um novo acordo e uma prorrogação de prazo.

No capítulo seguinte, o Contran finalmente autorizou um órgão a ministrar o curso, mas, para reativar as reclamações dos mototaxistas francanos, o autorizou em Ribeirão Preto. Após alguns protestos dos mototaxistas, também exagerados porque finalmente o curso havia sido criado, a despeito dos 86 km que separam Franca de Ribeirão, a Secretaria de Segurança e Cidadania interveio e o curso foi autorizado em Franca, facilitando a vida de todos.

Mas, quando tudo parecia caminhar para um final feliz, eis que mais um capítulo surgiu para alongar ainda mais essa inexplicável novela francana. Por conta de uma falha da Secretaria de Segurança, o documento de abertura do curso trouxe uma informação incorreta, o que acarretou atrasos na formação das turmas e impediu que os mototaxistas cadastrados fizessem o curso o até o dia 04 de agosto, data máxima para que todos estivessem devidamente legalizados perante a resolução do Contran.

Parece incrível, mas é a pura verdade. Com tantos problemas urgentes para se enfrentar na cidade, funcionários públicos ligados ao Ministério Público, Polícia Militar e Prefeitura estiveram durante todo esse tempo envolvidos em um caso que deveria ser simples e rápido, sem necessidade de tumultos, TACs ou qualquer tipo de protesto. Todo esse desperdício de tempo, que para a cidade é com certeza bastante precioso, teria sido evitado se o curso tivesse sido melhor planejado e não fosse conduzido com tanta burocrática. Mas a novela ainda não terminou. O Contran decidiu agora prorrogar o prazo, nacionalmente, para a regularização dos profissionais: fevereiro de 2013. Agora é acompanhar para saber se algo mais ajudar a estender essa história que já deveria ter terminado há tempos.