10 de julho de 2026

Moradores dos bairros novos de Franca reclamam da insegurança


| Tempo de leitura: 3 min
O comerciante Luiz Francisco Elias colhe assinaturas de moradores no Residencial Palermo para juntar recursos e contratar dois seguranças particulares; até na sexta-feira, 57 já aderiram à iniciativa

Bairros novos, em construção na cidade de Franca, vêm se tornando os alvos preferidos da bandidagem. Moradores reclamam da onda de furtos. Basta se afastarem dos imóveis por algumas horas que os ladrões aproveitam para agir. Tudo que está pela frente é levado. De aparelhos eletrônicos a alimentos, de dinheiro a objetos de valor sentimental, nada fica fora da lista de produtos visados pelos criminosos. Uma moradora do Residencial Palermo, na zona oeste, teve sua casa invadida duas vezes em menos de um ano. Até o seu álbum de casamento foi levado pelos ladrões. As pessoas destes novos bairros, muitas delas sem muitas posses, têm contratado segurança particular para ter algum sossego. A Polícia Militar diz que lançará um projeto para que a quantidade de crimes diminua (leia mais em texto nesta página).

Uma das explicações para a preferência da bandidagem para estes bairros é, segundo os moradores, a falta de policiamento mais ostensivo. Também o fato de haver muitas casas ainda em construção e terrenos baldios facilita as ações criminosas. As ocorrências de furtos deste gênero pipocam por várias regiões da cidade. Na zona sul, por exemplo, os campeões de ocorrências são os bairros Zaneti, Polo Clube, Elimar e Vila Real. No residencial Polo Clube, uma dona de casa alegou que já teve seu imóvel furtado duas vezes. Na última invasão todos seus eletrodomésticos e até alimentos que estava na dispensa foram levados. “Aqui na rua não foi só a minha casa não. É um bairro novo que vários vizinhos meus foram vítimas (de ladrões). Esta semana mesmo eles entraram na casa ao lado da minha. Neste caso a polícia prendeu os ladrões e recuperou os objetos”, disse Taciane de Oliveira Ribeiro, vítima de furto em fevereiro deste ano.

Dados da Secretaria de Segurança Pública revelam que a área onde ocorreu nos últimos seis meses a maior incidência de furtos foi a zona oeste. No 2º Distrito Policial foram registradas 801 ocorrências. O número não aponta crimes exclusivamente de invasões de casas, mas é justamente esta região que recebeu, nos últimos dois anos, a maior parte de novos loteamentos.

O pespontador Daniel Henrique de Freitas mora no Residencial Júlio D’elia, zona oeste. No último final de semana seu bairro foi alvo de arrastão. Ao acordar no domingo percebeu que o hidrômetro de seu imóvel havia sido levado. Segundo Freitas, quase todos os moradores da rua onde mora, próximo à mata do bairro, tiveram o mesmo dissabor. “Agora a Sabesp mandou a conta pra gente. Cada um tem que pagar R$ 43 pelo equipamento roubado. Só eu fiquei sabendo de sete casas roubadas”, disse Henrique.

Moradores do residencial Palermo, também na zona oeste, também têm reclamado da onda de furtos. Numa rápida pesquisa pelo bairro, a reportagem do Comércio se deparou com quatro vítimas de ladrões, somente na semana passada. Num único caso, o morador foi furtado duas vezes. Uma no último domingo e depois na quinta-feira. “Foi meu irmão. Entraram na casa dele enquanto ele saiu para almoçar no domingo e fizeram um limpa. Depois voltaram na quinta-feira achando que tinha mais dinheiro e levaram mais coisas. Os ladrões cortaram a cerca elétrica”, disse a manicure, que pediu para não ter o nome revelado.

Em um outro caso no bairro, o motorista AJC, 36, teve sua casa invadida cinco vezes. Três delas quando ainda esta em construção. No último caso os ladrões fizeram um buraco por portão e levaram de alimentos a álbum de casamento. “Meu prejuízo foi de R$ 20 mil. Levaram tudo o que você pensar. Fiquei sem nada”, disse a vítima.